21 maio 2016

Cannes 2016: Confira as críticas de Personal Shopper com Kristen


Aconteceram as exibições de Personal Shopper, de Olivier Assayas, em Cannes. O filme recebeu vaias após a primeira exibição no festival, trazendo muitas opiniões mistas sobre o filme, mas nunca sobre a atuação de Kristen. Separamos as críticas dos maiores sites abaixo.

ATENÇÃO: CONTÉM SPOILERS

Indiewire:Em Clouds of Sils Maria, de Olivier Assayas, Kristen Stewart era uma coadjuvante. Para sua mais recente colaboração com o diretor, ela é o centro do show. Como Maureen, uma jovem americana vivendo em Paris e lidando com a morte recente de seu irmão, a atriz carrega cada cena entre uma série de circunstâncias peculiares que podem ou não envolver fenômenos sobrenaturais. Esse é um trabalho medido e rico em ambiguidade sobre o processo do luto, disfarçado de uma estória de fantasmas, que experimenta as minúcias da linguagem do cinema com somente um mestre medium pode fazer.

Desde sua sequência de abertura, é claro que Personal Shopper mira em uma abordagem experimental: Maureen entra em uma casa vazia e sombria por alguns minutos, e a câmera deAssayas desliza junto, sem contexto. Somente mais tarde se torna claro que ela fez um juramento com seu irmão gêmeo – que, como ela, sofria de um problema de coração – que quem morresse primeiro, faria uma tentativa de comunicação além do túmulo.

Gastando seus dias trabalhando para uma celebridade local, ela passa seu tempo livre conversando pelo Skype com seu namorado enquanto ele termina um projeto no trabalho, e saindo com a ex namorada de seu irmão enquanto elas montam uma estratégia para tentar fazer contato com seu espírito. Suas tentativas seguintes assumem uma série de reviravoltas, a primeira com um encontro de verdade marcado por um CGI ruim, e então algo muito mais assustador.

Em uma viagem para Londres, Maureen recebe mensagens de um número desconhecido, o que se torna um diálogo prolongado que consome a maior parte do segundo ato do filme. Conforme o suspense cresce, com as mensagens se tornando um jogo de gato e rato e Maureen incerta se está trocando mensagens com um fantasma, Personal Shopper move-se para um visual texturizado e devagar sobre o que significa ficar à deriva na cidade grande.

O compromisso de Stewart com o papel é impressionante e ela emite uma curiosa sensualidade que não foi vista previamente em sua carreira. Sozinha uma noite na casa de sua patroa, sua personagem entra em um ato fetichista que sugere que ela foi possuída por um espírito pervertido, se não algo muito mais malvado. Mesmo quando os efeitos especiais entram no drama, eles meio que oscilam no ar, como pontos de interrogação. Personal Shopper não é uma estória de fantasmas tanto como examina os fundamentos psicológicos que fazem as estórias de fantasmas nos assustar.

Contudo, Personal Shopper cria um universo completamente realizada que mescla terror visceral com as observações mais profundas de sua causa. O público que não está disposto a lutar com esse jogo fascinante demonstra o pior medo que assola a cultura do cinema: algo diferente.

Film4:É bom ser surpreendida. Personal Shopper é um filme misteriosa que lida descaradamente com o sobrenatural e o banal que nos assusta em filmes de terror em certos pontos. Mas, apesar de suas armadilhas de gênero, é uma peça de humor: você vai ser completamente absorvido em seu mundo de completa histeria, ou você vai achar um pouco bobo. Eu acho que é um pouco de Repulsionencontra Paranormal Activity?



Também é um filme sobre a ausência: Maureen, de Kristen Stewart, está em diálogo com três figuras ausentes no filme (quatro, se você contar com seu namorado a distância, mas já que ela fala com ele via Skype, pelo menos ela vê seu rosto de vez em quando).

Esses três diálogos se juntam em uma cena chave em hotel onde marca o ponto se você está dentro ou fora desse filme. Eu estava dentro – eu não acredito que os cabelos da minha nuca não levantaram, estava muito quente no cinema pra isso – mas se uma mão inesperada tocasse no meu ombro naquele momento, eu teria gritado muito mais alto do que as almas ruins que pensam que é certo vaiar no final dos filmes que eles pessoalmente não gostaram.

Não é um filme perfeito, algumas decisões dos personagens desafiam a lógica, mas é visivelmente efetivo no nível que eu suspeito que seja o mais importante para Olivier: nos levar em uma jornada emocional. Também é uma jornada inesperada – eu desafio qualquer pessoa a ter adivinhado onde a narrativa estava indo em alguns momentos (seria injusto sugerir que o próprio filme não ligou?) -, mas dada a escassez de um filme de três atos rigidamente sobrecarregados de trabalho que encontrará o seu caminho em cinemas, é algumas vezes refrescante assistir algo que quebra a maioria das regras dos livros de “Como Escrever Seu Primeiro Roteiro”.

Personal Shopper também adere um princípio visual prazeroso, que é o jeito menos vulgar que posso encontrar para dizer isso, algumas vezes, muito sexy. Em The Handmaiden, que estreou mais cedo em Cannes, também em competição, nos deu no geral muita coisa boa, Personal Shopper parcela seu encanto em costuras reveladoras e roupas íntimas transparentes e sapatos de salto alto de tirar o fôlego em doses pequenas, os levando para a fábrica do filme, sem sair como um anúncio gratuito para a brigada suja.

Nada disso iria funcionar sem a performance maravilhosamente elevada de Kristen Stewart, algumas vezes retida e generosa, mas nunca chamando atenção para sim mesma ou parecendo “atuar”. Eu simplesmente acreditei que ela era a personagem, e eu não posso pensar em um elogio maior para um ator.

VarietyDe primeira, a personagem de Stewart, Maureen Cartwright, parece ser moldada do mesmo jeito que a assistente de celebridade que ela interpretou em Sils Maria. Ainda assim, enquanto Maureen pertence ao mesmo sistema de satélites descartáveis atraídos para a órbita de ídolos de tablóide carentes, seu trabalho não poderia ser mais diferente. Francamente, é difícil imaginar um trabalho melhor em Paris enquanto assistimos Maureen em sua motocicleta de um atelier de alta costura para o outro, pegando vestidos para a estrela de um nome só, Kyra, usar – a única regra é a que ela não pode experimentar as roupas. Enquanto ser uma personal shopper oferece tão pouco para a satisfação pessoal, o trabalho é tão agradável que deixa tempo para Maureen fazer bico como medium, onde as coisas começas a ficar estranhas.



Na cena de abertura, Maureen entra em uma mansão vazia para iniciar uma sessão, e enquanto ela não vê o fantasma ameaçador pairando no fim da sala, Assayas faz questão de que nós o vemos. Irá demorar um tempo antes do filme revelar o que Maureen estava fazendo naquela casa – apesar de que, nunca explicam o que ela, uma americana, está fazendo em Paris. Acontece que, seu irmão gêmeo, Lewis, também vivia na França. Na verdade, seria mais certo dizer que ele morreu na França, o que não tem sido uma coisa fácil para Maureen aceitar. Os dois possuíam corações fracos, e o acordo era, quem morresse primeiro mandaria um sinal do outro lado, então ela – e nós – passamos o filme esperando pela tal mensagem. E porque Assayas já indicou que fantasmas não são apenas reais, mas potencialmente malignos, isso cria um verdadeiro suspense.

A mensagem chega, assim como todas as mensagens tendem a chegar, via celular durante uma atormentada viagem para Londres. Considerando que Maureen vai passar 20 minutos mandando mensagens para um desconhecido (e possivelmente morto-vivo), é uma espécie de conceito inteligente que ela passe a conversa manipulando sua tarefa mais glamurosa, evitando ligações de seu namorado a longa distância e fazendo pesquisa via YouTube (onde ela assiste vídeos sobre um pintor abstrato Hilma af Klimt e o escritor francês Victor Hugo, com os dois conversando com o além). Stewart é uma atriz espetacular, seu frágil exterior quase não disfarça qualquer dificuldade que ela ou seus personagens estejam lutando por baixo, e aqui, a imprevisibilidade do que ela pode fazer em seguida é agravada pelo fato de que não existem regras para o que pode acontecer.

The Guardian:Kristen Stewart é a quinta caça-fantasmas? Perguntas assim podem aparecer na sua mente ao assistir esse cativante, tenso, fervorosamente absurdo e quase inclassificável filme de Olivier Assayas. É um filme que entrega a loucura que nós tanto desejamos em Cannes, apesar de na primeira exibição algumas pessoas cansativas continuaram a tradição do festival de vaiar filmes muito bons.



Personal Shopper tinha aquele élan provocativo indefinido que me lembrou um pouco de Breaking the Waves de Lars Von Trier. Na verdade, é um dos melhores filmes de Assayas em muito tempo, e a melhor performance de Stewart – ela estrela como uma stalker fashionista sobrenatural, onde o vilão poderia ser a própria heroína. Isso é O Diabo Veste Prada com The Handmaiden e um toque de Single White Female?

A performance de Kristen Stewart é tremenda: ela é calma e vazia de um jeito confiante de alguém muito competente, inteligente e jovem, e ainda assim suas demonstrações de emoções são muito reais e comoventes. Ela é inteiramente devota a seu smartphone, o que é o canal de seus medos e há uma pitada de pura genialidade de Hitchcock em uma cena onde ela liga o celular e mensagens de texto acumuladas começas a aparecer, trazendo o perigo para bem perto. Com esse despreocupado e audacioso Personal Shopper, Olivier Assayas trouxe a agitação para o festival.


O diretor Olivier Assayas coloca suas cartas na mesa bem cedo em Personal Shopper. Maureen(Kristen Stewart) se aproxima de uma grande casa abandonada, fala com alguém que mais tarde descobrimos ser a ex-namorada de seu irmão gêmeo, e então se instala para passar a noite. Ela está ali para esperar um sinal se deu irmão, de além do túmulo, e enquanto ela só escuta sons estranhos e se sente profundamente desconfortável, nós vemos algo aparecendo na escuridão. Se tratando de um fantasma ou não – há um pouco de ambiguidade no começo, mas curiosamente Assayas brinca com essa suposição mais tarde – talvez seja pouco claro, mas não há dúvidas que esse filme tem uma lógica interna que inclui elementos sobrenaturais.

Personal Shopper é, nessa cena e em muitas outras, um filme de terror, com Kristen Stewartandando por lugares escuros e se assustando com barulhos altos e assustadores. Mas há muito mais no filme do que apenas isso, tanto em relação ao subtexto do filme, e literalmente em relação ao que acontece depois. Assayas certamente abocanhou mais do que pode mastigar, tentando fazer várias coisas ao mesmo tempo em Personal Shopper – o filme também é sobre a dor, a luta com a identidade, o uso da moda para se tornar outra pessoa, e um assassinato misterioso – mas enquanto há erros, incluindo alguns momentos de efeitos especiais que são um pouco bobos, há mais coisas dando certo do que falhando.

Kristen Stewart está absolutamente maravilhosa em Personal Shopper, com basicamente todo o peso do filme em seus ombros e com poucos momentos sem ela neles. É um papel desafiador – seu retrato de uma irmã e luto é muito comovente – e há um número de vezes em que ela é chamada para realizar uma ideia ou uma emoção com um pouco mais de direção para fazer o trabalho pesado. Ela aceita esse desafio, mostrando novamente que ela é uma ótima atriz, se lhe for dado o material certo.

Personal Shopper é um filme misturado que é muitas vezes frustrante, como resultado de Assayas, que também escreveu o filme, talvez ter tentado apresentar muitas coisas ao mesmo tempo. Mas não é chato, e Kristen Stewart consegue manter tudo no lugar com sua performance.


Kristen Stewart se junta novamente com Olivier Assayas para um filme que parece ser o gêmeo do mal de sua primeira colaboração, o imponente Clouds of Sils Maria. Aqui, Stewart também é uma assistente. E também é focado sobre a mortalidade em um ambiente cultural. Mas acredite quando eu digo, dessa vez, Assayas realmente trouxe o sangue.

Stewart interpreta Maureen, uma jovem americana vivendo em Paris. Maureen trabalha como uma espécie única de assistente para a atriz/modelo/socialite Kyra. Sua tarefa é encher o armário de Kyracom os melhores itens de Paris e Londres – algo que Maureen odeia. Logo nós descobrimos a razão por Maureen estar ali: Ela pode se comunicar com os mortos e está esperando ouvir uma palavra de seu irmão gêmeo, que morreu recentemente antes de deixar a cidade.

E então, uma noite, ela o faz. Acampada na casa onde seu irmão morreu, Maureen liberta… Algo. Um fantasma, com toda certeza. Mas não está claro se o fantasma é de seu irmão ou de alguma outra pessoa, e não fica claro se é uma força do bem ou ago com más intenções. A resposta é provavelmente a última, a julgar pelo resto do filme (Assayas realmente trouxe o sangue.)

O filme é assustador como o inferno, com algumas partes realmente arrepiantes, mas não confunda isso com os seus thrillers medianos. O erudito e muito inteligente Assayas define o filme em uma base de muita divagação, alternadamente contemplando Victor Hugo, com sua fotografia abstrata dos anos 60 da televisão.

Assayas muitas vezes parece feliz em fazer perguntas ao invés de respondê-las, e isso inclui o mistério central de “Que diabos está acontecendo?” Muitas vezes ele vai desaparecer no meio de uma cena, como se ele perdesse o interesse e quisesse levar isso para outro lugar, e não há dúvidas que esses foram os pontos que irritaram a audiência de hoje.

Esses toques não fazem Personal Shopper um filme ruim – eles o fazem um filme de Olivier Assayas. Você consegue o bom com o mau de Assayas, e há uma abundâncias de bons aqui. O diretor faz um bom uso de sua câmera itinerante, movendo-se atreves do espaço e construindo a tensão com um simples plano de câmera. Ele faz um bom uso de sua atriz principal, encontrando uma energia tensa – e sim, sexual – em Stewart que nenhum outro diretor havia conseguindo libertar.


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