18 agosto 2016

ATUALIZADO: Scan, vídeo e entrevista da Kristen na capa da Revista The New York Times Style Magazine



Outtakes

Scan
DEPOIS DA TEMPESTADE: A verdadeira Kristen Stewart engraçada e ferozmente aberta está começando a emergir.

LQ

Video dos Bastidores
É difícil não ficar encantando com a casa de Los Feliz de Kristen Stewart, e mais difícil ainda de acreditar que pertence a uma estrela do cinema e não a uma estudante de faculdade. O porão de sua propriedade de quatro quartos, que paira acima de Los Angeles – que pertence e ao mesmo tempo se separa da cidade nebulosa abaixo – é um estudo aleatória: uma placa de ‘Pare’ na parede, três letras de metal – A, S e S – em outra, uma figura de ação do Batman, um porta-balas PEZ do Ursinho Pooh e uma máquina de pinball da Playboy. A peça central do lugar, uma estante grandiosa, está cheia de livros de moda, alguns da Chanel, para quem ela é modelo; monografias que caracterizam as obras de Basquiat, Eggleston e Mapplethorpe; livros sobre comida, viagens e os Beatles; e romances de Dostoyevsky, Hesse e Kafka. Um pedaço da estante é devotada a Jack Kerouac, cujo a personagem Marylou foi interpretada por Kristen na versão cinematográfica de ‘On the Road‘.

Os capítulos mais dominantes da carreira de Stewart estão no canto. Quatro volumes da ‘Saga Crepúsculo’, os best-sellers que se tornaram uma franquia, começando em 2008, fizeram Stewart discutivelmente a atriz mais popular do planeta. Os livros estão perto do chão de terracota, obscurecidos por brinquedos antigos de corda. O escudo que ela usou em ‘Snow White and the Huntsman’, um filme que estreou em 2012, alguns meses antes de ‘Breaking Dawn – Part 2’, o quinto e último capítulo da ‘Saga Crepúsculo’, está preso na parte mais alta da estante.

O ano que Stewart fez 22 anos deveria ter sido triunfante. ‘Breaking Dawn’ e ‘Snow White’ ficaram ambos no topo da bilheteria, e Stewart se tornou, de acordo com a Forbes, a atriz mais bem paga de Hollywood. Ela comprou duas casas (a outra em uma praia em Topanga), e ela resgatou sua terceira cadela, Cole, encontrada por um amigo durante uma partida de frisbee. Ela também se tornou a face do Florabotanica, um perfume da Balenciaga.

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Agora com 26 anos, Stewart está sentada em seu sofá, vestida para andar de skate com jeans apertado, uma T-Shirt branca e um boné preto, usado virado para trás. Cole (junto com Bernie e Bear) dormem em seus pés. Ela acende um cigarro, suas mãos atipicamente firmes. Tudo sobre ela, na verdade – o contato visual fácil, a risada casual e disposição de falar sobre o passado -, é um afastamento surpreendente do rosto triste que foi apresentado para o mundo alguns anos atrás. Stewart tem sido uma atriz profissional desde os 9 anos de idade, e durante sua adolescência e o início de seus 20 anos, ela sofreu com o que ela chama de “ansiedade física debilitante”. Mas a atenção que vem com a fama, enquanto ainda seja ocasionalmente frenética, “não é mais negativa ou baseada no medo,” diz Stewart. “Eu acho que é por causa das tempestades que eu enfrentei. Não que elas te façam mais forte, mas elas te fazem humano.”

“Eu não sou exibida,” ela adiciona, enrolando seu pé por debaixo de suas pernas e pegando outro cigarro. “Mas ao mesmo tempo, eu quero muito me expor. Eu quero ser entendida e quero ser vista, e quero fazer isso do jeito mais cru, puro e nu que posso.”

Se esse impulso não era claro durante os anos de ‘Twilight’ é porque, ela diz, “As pessoas queriam muito que eu e Rob estivéssemos juntos que nosso relacionamento se tornou um produto. Não era mais a vida real. E isso era nojento pra mim. Não é que eu queira esconder quem eu sou ou esconder qualquer coisa que estou fazendo com a minha vida. É que eu não quero me tornar parte de uma história com valor para o entretenimento.”

Pelos últimos três anos, Stewart tem namorado a produtora de efeitos visuais chamada Alicia Cargile. Ela passa por fotos das duas em sua conta privada no Instagram. “Veja como ela é fofa,” Stewart diz em um ponto. “Eu a amo muito.” (Outros comentários de afeição não podem ser mostrados; Stewart xinga como um caminhoneiro.) Só recentemente ela tem sido aberta a conversar sobre sua vida amorosa, e sua sexualidade. “Eu nunca falaria sobre nenhum dos meus relacionamentos antes, mas uma vez que comecei a sair com meninas, pareceu como uma oportunidade para representar algo realmente positivo,” ela diz. “Eu ainda quero proteger a minha vida pessoal, mas eu não quero parecer que estou protegendo a ideia, então isso meio que parece que eu deva algo para as pessoas.”

Stewart ainda está navegando sobre o quanto quer revelar, e para quem, um desafio para qualquer pessoa que é analisada de perto, mas particularmente para uma atriz que depende da conexão com os personagens e público. “Como você sente que não está sendo roubado?” Ela pergunta, “e ao mesmo tempo, como não se guardar tanto a ponto de se privar de toda a bondade da vida?” Ela procura a resposta em muitas noites sem dormir, o que é uma lição. “Nada me matou,” ela diz. “Eu estava muito magra, parecia louca, mas estava bem. Agora eu tenho fé no meu corpo para seguir em frente, e isso me fez um atriz melhor.”

Uma artista cada vez mais atraente e diferenciada, Stewart descreve o processo em vezes diferentes como “aproveitar um fluido,” “entrar em um mundo mágico” e “encontrar um portal”. É, para ela, uma “experiência exploradora, meditativa, comovente, bonita e transcendente que nós aproxima.” Desde o começo, ela alterna entre filmes grandes de estúdio e trabalhos inteligentes e elogiados com diretores talentosos. (Esses dias, ela está preferindo os mais recentes: ‘Café Society’, de Woody Allen, ‘Equals’ de Drake Doremus, ‘Billy Lynn’s Long Halftime Walk’, de Ang Lee e ‘Certain Women’, de Kelly Reichardt). O que é novidade é sua disposição de pegar personagens que anteriormente poderiam tê-la esmagado. No novo suspense psicológico, ‘Personal Shopper’, ela se reúne com o diretor Olivier Assayas para interpretar uma mulher de luto por seu irmão gêmeo. (Por sua performance como assistente de celebridade no último filme de Assayas, ‘Clouds of Sils Maria’, ela se tornou a primeira atriz americana a ganhar um César Award, o equivalente francês ao Oscar.) Sua personagem é, Stewart diz, “a pessoa mais isolada e solitária que eu já interpretei, alguém que é dominada pelo medo e ferocidade.”

Durante a produção, Stewart trabalhou 18 horas por dia, seis dias por semana, e quando ela não estava trabalhando, ela estava promovendo sua parceria com a Chanel. “Como uma pessoa mais jovem, eu teria perdido o vapor: ‘Estou cansada. Não me sinto bem. Estou doente.’ Ao invés disso eu tento ficar mais doente, mais cansada, só para ver se há algum ponto de ruptura, e não houve.”

Stewart sai dos trilhos. Um minuto depois, ela balança a cabeça e sorri. Ontem, ela explica, enquanto visitava seu pai no Dia dos Pais, ela encontrou uma foto dos dois na premiere de ‘Panic Room’, seu primeiro grande filme, onde ela interpretou a filha de Jodie Foster. Com apenas 11 anos, ela estava vestida com uma roupa preta séria que ela mesma tinha escolhido. Ela estava tão nervosa que um fotógrafo pediu para ela se acalmar. “O que você não entende,” ela disse para ele, “é que eu não consigo abrir minhas mãos.” Ela mostra seu punho com as articulações brancas para demonstrar.

Stewart sempre teve o que ela define como “glândulas supra-renais de alto funcionamento,” e apenas agora parece que ela conseguiu um jeito de canalizar sua ansiedade em um modo produtivo, para aproveitar o processo da atuação, ao invés de simplesmente suportar essa armadilha. Quando ela nota que estou olhando para um diário de couro entre nós na mesa de café, ela abre para revelar poemas que ela escreveu durante os anos, a maioria em vôos. Se ela está feliz com o resultado do poema, ela transcreve para o diário.

“Vem,” ela diz, me guiando para o andar de cima para uma garagem desarrumada. A bagunça faz parecer com que esse seja o lugar mais íntimo da casa. Uma tela, pintada quase completamente preta, está encostada na parede. No centro, há um homem em repouso, entre o sono e a consciência, cercado pela escuridão. Antes que eu possa reagir, ela diz, “É, digo, eu não sou, tipo, boa. Só é legal aplicar pintura em algo.”

Stewart está fazendo um curta inspirado na imagem, que por sua vez surgiu de um dos seus poemas. “É basicamente sobre aquele momento que você acorda, se veste e percebe” – ela escorra para primeira pessoa – “Eu não estou mais triste. Não estou mais saturada. Eu voltei para a realidade de todo mundo e agora eu posso viver novamente.”


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