11 novembro 2013

Nova Entrevista de Robert para a revista "Marie Claire" (Rússia)


Los Angeles? 30 minutos com Robert Pattinson? Sim, por favor! Eu quase que desliguei o telefone quando todo o grupo editorial me deu conselhos sobre o que lhe deveria perguntar, como obter o seu autógrafo ou tirar uma foto com ele para me gabar depois. Mas as coisas não são feitas assim. Para se preparar para uma entrevista, tive que re-assistir a todos os filmes da jovem estrela, e não apenas “Robert Pattinson é Inglês” (o seu anglicismo mostra-se no primeiro momento do nosso encontro), e ele tem quase o cuidado de ter uma biografia perfeita.

Ele nasceu nos subúrbios de Londres, a sua mãe trabalhava numa agência de modelos e o seu pai era um negociante de carros antigos. Ele e as suas irmãs foram para a escola, onde, um dia, ele ficou interessado no teatro. Este passatempo inocente transformou-o num actor. Mas a sua fama surgiu, de forma inesperada, com o papel de novo herói, inteligente, de agradável palidez, modos refinados, e um vago romantismo britânico em oposição à força física rude e brutalidade.
É exatamente do que eu preciso – uma conversa com um intelectual bonito. “Desculpe, eu estou um pouco atrasado, mas eu tive que ir comer qualquer coisa. Eu como sempre a mesma salada “caesar” e uma sandes. Que comida de hotel…” – ele acrescenta o seu sorriso desarmante com estas palavras ao mesmo tempo, não entendo se devo apertar a sua mão ou não (um dilema terrível para um inglês – numa questão de educação e correção política, se sou feminista, devo cumprimenta-lo, se sou antiquada, então não irei gostar disso. Ele não tem ideia de como as coisas são na Rússia), geralmente, ele sorri e ri muito.

Um dia antes da conferência de imprensa, o novo rosto da Dior tinha vestido um elegante e recto fato com uma gola preta e parecia, absolutamente, respeitável, o que não o impediu de ter algumas brincadeiras com o realizador do anúncio, Romain Gavras. Hoje ele está mais casual, calças de ganga, t-shirt branca e um blazer cinzento. E um boné de beisebol. “Sim, este é o meu estilo, o que você vê agora. Sinto-me confortável e livre, e eu valorizo a liberdade” – ele responde à minha pergunta sobre as suas preferências relativas ao vestuário. “Agora que tenho um monte de coisas para fazer. Estou a procurar uma casa nova e isso tornou-se uma verdadeira paixão para mim. Estou a ver várias ofertas na Internet e ando por todos os lados. É por isso que eu escolho as roupas mais seguras e casuais. Eu adoro as manhãs, nem todas as manhãs… é bom quando não tenho pressa para chegar a qualquer sítio, quando o sol está a brilhar e eu posso mentir e pensar sobre o dia, fazer planos… Perceber que tudo está a começar… E eu nunca faço exercício físico! Desportos de manhã aborrecem-me. Mas boxe à noite, ou até mesmo ao final da tarde, é algo diferente. Eu pratico um pouco de boxe e irei fazer isso durante algum tempo.”

Eu penso que ele é um “workaholic”. A nossa conversa move-se, lentamente, para o tema de cinema… Filmar para o David Cronenberg… Planos futuros… “Eu ainda não tive, ao que chamo, “férias”, durante sete anos. Seria bom esquecer a realidade, às vezes, mas para ser honesto, não me sinto muito cansado. Eu já percorri um longo caminho desde o papel secundário em “Ring of the Nibelungs” até Crepúsculo para Cosmópolis de Cronenberg. Para não falar do meu enorme esforço em “Water for Elephants” e “Bel Ami”. Desde que saibas conduzir, o desejo de seguir em frente, de experimentar novas coisas – eu não quero mesmo nada parar. Eu tenho sorte, porque o que faço é pouco diferente do que descansar, e no final posso tirar proveito disso e não contar quantos dias trabalhei. Não quero perder tudo isto. Questiona-se do que o que me faz seguir em frente? O medo. O medo faz-me levantar de pensar: “sê melhor, não pares, deves experimentar isto”. Quando se vive assim, novas oportunidades surgem. 

Foi o que aconteceu com a “Christian Dior Parfums” – para mim, fazer parte deste anúncio, fazer parte desta marca lendária tornou-se, totalmente, uma nova etapa. É como se estivesse a ir para outro nível. Por um lado, entendes a quantidade de confiança, que depositam em ti, e por outro lado, tu queres fazer algo por ti mesmo para “aperfeiçoar até ao último detalhe” da história. “Dior Homme” é uma personagem real, é um verdadeiro mestre da vida, ele cria tendências, dita as suas condições. Na minha idade, há muitos novos sentimentos (mas são agradáveis). Mas eu tenho muita energia e estou pronto para compartilhá-la. Estou pronto para viver mil vidas: uma imagem hoje, outra amanhã. Não sei de nada sobre perfumes, mas gosto deste perfume.”

Às vezes eu consegui falar com ele sobre coisas pessoais… (bem, material quase pessoal). Robert fala abertamente e muito emocionalmente, habilmente evitando questões sensíveis e não adicionando detalhes, onde é possível. Durante esses 30 minutos, ele sorri e reage às minhas perguntas a corar. Surpreende-me que um homem que possa corar se tenha tornado actor. Ele é o actor mais tímido, de todos os actores, que entrevistei nestes últimos 4 anos. A sua atratividade é de natureza completamente diferente, não há nada rude, indecente, dominando abertamente sobre ele. Mesmo a barba dele não faz dele um “homem real” (macho?). Ao mesmo tempo, é impossível evitar o seu charme incrível. Ele exale gentileza masculina, o desejo de compreender, aconchego e requinte.

"Desde criança que queria ser como o meu pai, ser masculino, sábio e forte” – Pattinson parece estar a ler os meus pensamentos – “com os anos, os sonhos tornaram-se mais específicos, e pensei que poderia tornar-me um bom político. Porquê? Porque tudo parece ser um jogo de negociação com as pessoas, resolver conflitos, fazer discursos. Se soubesse dos discursos políticos que eu escrevia! Que argumentos eu costumava usar! O meu opositor nos debates estaria condenado logo desde o início… então, interessei-me por música. Claro que não faço isso, profissionalmente, como a minha irmã Lizzy (ela tem a sua banda e os seus cd’s são dos mais vendidos no Reino Unido), mas mesmo assim levo a música muito a sério. Às vezes acho que numa próxima vida, serei, definitivamente, um pianista. Imagine: eu numa praia a tocar num piano de cauda. Este sou eu. A música é algo muito pessoal. Tenho tocado piano desde os meus 4 anos e guitarra desde os 5 anos. É por isso que eu gosto de tantos estilos de música diferentes, do género “rock-soul” (no anúncio da “Dior Homme” é usada a música dos Led Zeppelin, “Whole Lotta love”), o único género pelo qual não estou pronto para voltar é o rap. Há sempre um lugar para “se não for a música, podemos viajar e ler. Eu gosto de viver em hotéis, andar pelas ruas, estar em lugares onde as pessoas se reúnem. Um monte de espaços tem certas associações na minha mente: Nova Iorque – é Brooklyn, Paris – chuva e um pouco de frio, (e não me contradiga – estas são as minhas associações!) Londres – um grande número de russos, Rússia-Bulgakov e Nabokov.”

Eu serei honesta, a partir do momento em que tomei a iniciativa na conversa, esta transformou-se numa palestra expressa sobre a história da literatura russa com Robert fazendo, constantemente, perguntas e comentários. Mas o tempo é importante e eu tive que fazer a pergunta principal: Que princípios são realmente importantes para si na vida e há algo de que gostaria de mudar? “Oh, os meus princípios são muito simples: ser honesto comigo mesmo, pensar menos sobre mim mesmo e ser agradável com as pessoas. Eu gostaria de mudar tantas coisas, deixar de comer “fast food” e tocar música na praia… Lembra-se disso, certo?”

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