13 novembro 2015

FilmIn: The Childhood Of Leader com Robert Pattinson é uma das estreias mais fascinante do ano

Merecedor do prêmio de Melhor Estreia e Melhor Diretor Orizzonti no recente Festival de Veneza, The Childhood Of a Leader significa junto ao incontestável "Filho de Saul"de Laszlo Nemes, a mais complexa e fascinante estreia do ano, também poderíamos apontar para ele como um complemento ideal para "A Fita Branca" (com toques de PT Anderson e Stanley Kubrick) e, claro, uma das grandes descobertas que com certeza lembraremos na XII edição do Festival de Cinema Europeu em Sevilha.

Qual a história?

The Childhood Of Leader conta a história de uma família americana que vive na França durante o período do pós-guerra após a Primeira Guerra Mundial, concentrando-se principalmente sobre as experiências que vive seu filho pequeno, aquelas que levam para o ressurgimento de uma nova semente para o fascismo. E sim, dando medo.

Quem está por trás disso?

Com apenas 27 anos, diante da câmera, o vimos sob o comando de Michael Haneke (Funny Games), Lars von Trier (Melancholia), Olivier Assayas (Sils Maria), Bertrand Bonello (Saint Laurent) Ruben Östlund (Força Maior) e Antonio Campos (Simon Killer). Atrás dela, ela demonstrou claramente que aprendeu muito bem a lição ensinada por todos eles. Para sua esperada estreia, Brady Corbet teve a colaboração no roteiro de sua parceira na vida real, Mona Fastvold (que já estrelou no ano passado, The Sleepwalker) e a trilha sonora incrível de todo um Scott Walker. Piadinha.

Quem está no elenco?

Um elenco que se destaca por sua simplicidade, tanto pela sua variedade de nuances interpretativas. Especialmente no caso da caracterização austera e cruel de uma grande Berenice Bejo (The Artist), que dá um giro de 180 graus nos papéis joviais e alegres que normalmente faz. Mesmas qualidades pode ser atribuídas ao forte interpretação de um padrão secundário de luxo, como Liam Cunningham (O vento que agita a cevada) ou mesmo as breves, e de forma alguma irrelevantes, aparições de Robert Pattinson. Este não é o caso da sensual protagonista de "Nymphomaniac" Stacy Martin, que neste caso ainda segue a sua linha. Vale a pena mencionar a interpretação do pequeno Tom Sweet. Dá medo.

O que oferece?

Uma estreia que parece tão apavorante quanto única, aquela que explora uma dessas experiências cinematográficas que por si só justifica a nossa participação em um festival. Com fel absoluto e esmagadora ambição, Corbet subscreve um título de Sartre para traduzir, de forma hermética como inquietante e definitivamente esmagadora, a infância de um futuro ditador no período pós-guerra, bem como sugerir (não simplesmente assinalar) aquelas razões familiares e fatores que podem levar uma criança a tornar-se o monstro mundial de um futuro não tão distante. E, há muitas virtudes que podem ser atribuídas ao surpreendente "The Childhood Of A Leader", tanto desde seu contundente mecanismo formal quanto da sua intrigante base conceitual e complexa estrutura de argumento.

Filmado e exibido em Veneza (assim como Sevilha) em um colossal 35 milímetros, praticamente sem sair do interior da mansão em que a história se passa, iluminada em quase todo momento por uma sombria luz natural, golpeado por pedaços memoráveis de uma estridente e estrondosa trilha sonora, sustentado por sutis planos sequência e acima de tudo sobre o sóbrio trabalho interpretativo de todo o elenco, Corbet absorve-se de uma aura perversa, inócua e sinuosa, digna do mais sugestivo e aterrador horror gótico, tanto assim que inclusive começa a parecer com uma nova exibição do filme de possessões. Não tão longe da realidade, que o cineasta debutante se interessa é penetrar o germe, a semente do que podemos apontar como o principal vilão para a humanidade: a mente e o coração de um ditador. Autêntico terror social. E para isso, além de honrar o rei gênero, ele mostra sinais de filmes de Haneke (especialmente a base conceitual e filosófica em que levita "A Fita Branca"), de PT Anderson (como forma de realização enigmática e detalhada, principalmente à base para "There Will Be Blood") ou mesmo Stanley Kubrick (tanto na relação pai e filho que articula bem como um nível formal, da maneira que ilumina e transita a mansão, diretamente nos leva a "Barry Lyndon"). Com tudo o que disse, eu não tenho ninguém para influenciar a reafirmação de que estamos diante de uma das erupções mais memoráveis dos últimos anos.Uma obra prima, praticamente mestra, um filme autêntico impressionante que merece um grande prêmio. Veremos o que diz Sevilha.


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