14 setembro 2012

FanFic: Forget Me Not - Capitulo 13


Forget Me Not

Autora(o): Juliana Dantas
Contatos: @JuRobsten;
Gênero: Romance, drama, Mistério, universo alternativo
Censura: +18
Categorias: Saga Crepúsculo
Avisos: Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo

**Atenção: Esta história foi classificada como imprópria para menores de 18 anos.**



**Pov Bella**

Eu pensei não ter escutado direito.
Eu não podia ter escutado direito!
– O quê? – balbuciei atordoada. – Não estou entendendo.
–Bella, lamento que as coisas estejam acontecendo desta maneira. Mas precisamos demiti-la. – Emmett falou com a voz que continha pesar, mas mesmo assim era firme, não deixando claro dúvidas desta vez para a afirmação.
Eles estavam me demitindo.
Me mandando embora.
Senti como se o chão estivesse se movendo sob meus pés, me tragando, me sugando.
Eu mal podia respirar.
Não era possível. Simplesmente não podia estar acontecendo.
Busquei desesperada o olhar de Rosalie.
Ela parecia consternada, mas contida.
–Rosalie... O que está acontecendo? - indaguei trêmula.
–Bella, eu sinto muito mesmo, sabe o quanto que isto está sendo duro pra mim, mas... – ela parou respirando fundo e foi Emmett novamente quem falou.
–Bella, o Edward me contou sobre o clube.



Meu sangue gelou nas veias. Eu automaticamente encarei Edward.
Ele parecia impassível.
Então ele tinha contado tudo a Emmett, já que Rose não lhe dera ouvidos.
Mas Emmett tinha acreditado nele, claro.
E agora estava coagindo Rosalie a me demitir.
Mas como é que eu podia aceitar aquilo?
Eu não podia de maneira alguma aceitar ir embora.
Eu não podia deixar os bebês.
Só de pensar nesta possibilidade eu sentia vontade de morrer.
Respirei fundo tentando me acalmar e não me desesperar.
–O que ele contou? – indaguei por fim.
–Acho que eu não preciso repetir, Bella. – Emmett falou. – Você sabe muito bem do que estamos falando e tem de convir que não podemos mais tê-la como babá.

–Mas antes de saber disto vocês podiam! – sibilei e encarei Rosalie. – Rose, por favor, fale para ele... Você não pode fazer isto!
–Bella, por favor, não torne isto mais difícil do que já está sendo...
Deus, eu não podia acreditar que Rosalie estava concordando com aquele absurdo!
–Sim, Bella, toda esta situação é difícil para todos. – Emmett falou. – Nós gastamos de você e do seu trabalho...
–Então por que está me demitindo? Porque eu transei com seu irmão?
–Você era uma garota de programa, Bella.
–O quê? – eu encarei Edward consternada. – Você disse isto? Está maluco? Como pode inventar tal coisa?
–Eu não estou inventando. – ele disse. – Quando eu a conheci naquele clube eu achava que era apenas uma garota se divertindo. – ele disse com ironia. – Mas depois eu fiquei sabendo pelo próprio dono daquela casa de onde todas aquelas garotas tinham vindo.
–Eu não sou nem nunca fui uma prostituta!
–Mas estava naquele clube.
–Eu estava lá para fazer uma matéria para a faculdade! Eu estudava jornalismo.
–Acha que eu acredito nisto?
–Não me interessa no que você acredita! Sempre vai achar que eu não presto! Mas agora é meu trabalho que está em jogo! E você está aqui me difamando apenas porque eu não quero mais ir pra cama com você!
–Eu apenas queria deixar meu irmão ciente de quem era a babá dos seus filhos.
–Inventando coisas sobre mim? Você é um cretino, Edward!
–Pelo menos eu não minto, fingindo ser quem eu não sou.
–Não sabe nada sobre mim!
–Pelo amor de deus, chega vocês dois com esta discussão! – Rosalie pediu. – Acho que devemos esquecer esta história. Eu acredito que a Bella está falando a verdade. Ela é mesmo uma estudante. Eu a conheci como tal e se ela diz que estava lá para fazer uma matéria, é porque é verdade!
–Fazer a matéria constituía em foder com todos os homens da festa? – Emmett perguntou com sarcasmo e eu o encarei furiosa.
–Eu não transei com todos os homens, apenas com seu irmão e me arrependo disto todos os dias desde então.
–Quer mesmo que a gente acredite nisto?
– Eu estou falando a verdade. Eu tinha uma colega de quarto que queria fazer uma matéria investigativa sobre aquele clube. Ela não pôde ir, então eu fui no lugar dela. Eu sei que nunca deveria ter ido e muito menos... – eu podia sentir meu rosto queimar e não conseguia encarar Edward. – Ter transado com seu irmão. Mas infelizmente aconteceu. E eu não acho que isto me classifica de prostituta. Apenas como uma idiota. E com certeza não sou a primeira e nem a única. E muito menos me orgulho disto.

Um silêncio opressor se abateu sobre a sala. Eu podia sentir os três pares de olhos sobre mim e nem sabia qual era o pior.
Eu apenas sentia uma raiva cega por Edward, que estava me fazendo passar por toda aquela situação.
Por Rosalie, que mesmo sabendo de toda a verdade, estava concordando com Emmett em me demitir.
E acima de tudo, eu sentia um medo terrível que eles concluíssem a ameaça.
Era simplesmente inconcebível para mim que eu deixasse aquela casa.
Que eu deixasse meus filhos.
–Mesmo que isto seja verdade, Bella. – Emmett disse por fim. – Acho que realmente é melhor ir embora.
–Mas eu disse que não sou nada disso que Edward me acusou. – murmurei, um nó de desespero começando a se apertar dentro de mim.
–Eu sei, até entendo você. Mas depois de tudo isto, e seu envolvimento com meu irmão... é uma situação embaraçosa e insustentável. Vai ser melhor para você se afastar.
Eu comecei a chorar.
–Eu não posso ir embora...

–Eu sinto muito, Bella.
Eu encarei Rosalie, me levantando.
–Rosalie, fale para ele. Eu não posso ir, não posso deixar os bebês! – sabia que estava começando a soar histérica, mas não me importava.
–Bella, fique calma. – Rose pediu.
–Calma? Como posso ficar calma quando está me mandando embora?
–Emmett tem razão, é uma situação insustentável sua presença aqui. Sabe disto, Bella. – as palavras de Rosalie eram cheias de significado, claro que ela não estava falando só de Edward e o que acontecera no clube. Ela estava falando do nosso segredo.
A situação delicada em que estávamos agora mais do que nunca.
Mas não me importava. Ela não podia me afastar dos bebês agora. E nem nunca.
–Sim, Bella, por favor, entenda nossa situação também. – Emmett continuou e eu os encarei furiosa.
–A situação de vocês? É só isto que pensam, não é?

–Bella, é melhor se acalmar. – agora foi Edward quem falou, se aproximando e tocando meu braço. – Vamos sair daqui, acho que precisamos conversar.
Mas eu afastei suas mãos com um safanão.
–Tire as mãos de mim! – gritei. – Eu odeio você. Tudo isso está acontecendo por sua culpa! Não consegue entender que eu não quero mais nada com você! Que você me faz mal! Desde o dia em que te conheci tudo virou um pesadelo! E deve estar feliz agora, não é? Teve sua pequena vingança sobre mim!
–Edward, deixa a Bella em paz. – Rosalie pediu se aproximando e me segurando. - Bella, fique calma. Vamos dar um jeito em tudo, vai ficar tudo bem... vem, vamos sair daqui...
Eu sabia o que Rosalie estava fazendo, ela estava com medo que eu entregasse tudo.
Mas sinceramente, já não me importava.
Eu apenas sabia que não podia sair daquela casa.
–Você não pode me demitir, Rosalie, se você fizer isto, eu...
–Bella, pare agora. – Rosalie segurou meu braço com força. – Por favor, se controla, pelo amor de Deus... – ela murmurou entredentes.
–Você quer que eu fique controlada enquanto me coloca para fora? Depois de tudo o que...
–Eu sei, apenas se acalme e vamos sair daqui. – pediu com um olhar desesperado. – Por favor...
Eu finalmente assenti e ela me tirou da sala.
Eu me sentia esgotada, enquanto Rosalie me levava para o quarto.
–Deus, que situação. – ela disse quando fechou a porta atrás de nós.
Eu a encarei.
–Rosalie, como pode deixar Emmett me demitir, pelo amor de Deus...
–Eu sei, eu sei! Acho que também não fui pega de surpresa? Eu não sabia que Edward ia contar ao Emmett e que ele ia querer demitir você.
–Mas ele quer, ou melhor já demitiu! Rosalie, eu não posso ir embora, não posso deixar os bebês...
–Eu não quero você vá, mas... Mas toda esta situação, Edward sendo o pai deles, Emmett sabendo do seu envolvimento com o Edward...talvez seja melhor que você se afaste mesmo... vai ser mais seguro.

–Não. De maneira alguma isto vai acontecer. Não vou me afastar dos meus filhos.
–Não são seus filhos mais, Bella. – Rosalie falou com um olhar pesaroso. – Não entende? Abriu mão deles, na verdade nem era para estar aqui...
–Mas eu estou! E porque você chamou, se lembra Rosalie?
–E eu sou muito agradecida por tudo, por toda a ajuda, mas sabia que mais dia menos dia teria que ir embora da vida deles.
–Não acredito que está fazendo isto!
–Sinto muito, Bella, mas é verdade! Não achei que fosse agora, talvez quando os bebês estivessem maiores...
–E não precisassem de tantos cuidados, não é isto? Você só me mantém aqui porque eu cuido dos bebês!
–E você sempre soube disto e não achei que fosse um problema! Era conveniente para nós duas.
–Nós duas, ou para você? – falei com amargor.
–Está sendo injusta, Bella. O que está insinuando? Eu acolhi estes bebês! Acolhi você quando precisou! Se estes bebês existem, foi porque eu te ajudei, em toda a gestação! Você concordou em abrir mão deles, você os deu para mim! Para eu criá-los! Agora eles me pertencem, são meus filhos e você está aqui como babá.
–Eu sei. Eu sempre serei grata por tudo, eu estava sozinha e desesperada e eles não teriam nascido se você não tivesse pedido que eu os desse pra você. Mas as coisas mudaram, Rosalie. Eles existem. E saíram de dentro de mim, e por sua incapacidade de cuidar deles sozinha eu fiquei. E acha que agora simplesmente eu poderia ir embora sem olhar para trás? São meus bebês, sim. Mesmo sabendo que eles pertencem a você, isto não anula o que eu sinto. Eu não ia conseguir deixá-los agora, Rosalie!
–Eu sinto muito, Bella, mas como você mesma disse, eles pertencem a mim. Você abriu mão deles. São meus filhos. Eu sei que tem sentimentos e sei que deve estar sofrendo, mas não podemos voltar atrás.
–Não estou pedindo para que voltemos atrás. Eu sei muito bem que a minha decisão não tem volta. Eu quero apenas ficar perto deles, cuidar deles, mesmo sendo uma simples babá...
–Temo que isto não seja mais possível. Por favor, entenda, Bella. Precisamos manter este segredo, pelo bem dos bebês...
–Pelo bem dos bebês ou pelo seu? Eles não entendem nada, Rosalie. O problema são os adultos e esta confusão que criamos. Às vezes eu acho que nunca deveria ter concordado com esta farsa!
–Mas concordou! E agora é tarde. Precisamos manter isto como está!
–Me mandando embora?

–Se eu insistir com o Emmett, ele vai desconfiar! E Edward está sendo mais insistente nesta história do que eu imaginava! Justo agora que eu tinha conseguido convencer a Tanya a ficar quieta! Mas eu tenho medo, Bella. Tenho medo que alguém comece a desconfiar... Que Edward descubra algo...
–E se ele descobrir? – murmurei. – Será que ele não teria direito de saber? Ele é o pai destes bebês, Rosalie.
–O pai deles é o Emmett! E sempre vai ser! E eu protegerei este segredo como for preciso. Mesmo que para isto eu tenha que te afastar dos gêmeos, Bella.
Eu senti um calafrio de medo.
Rosalie estava falando sério.
Ela estava mesmo disposta a se livrar de mim.
Mas se ela estava decidida e me afastar dos meus filhos.
Eu estava igualmente decidida a não deixar isto acontecer.
–E eu te digo, Rosalie, que isto não vai acontecer. Você não vai me afastar dos bebês. Nem que pra isto eu tenha que revelar a verdade.


Desta vez foi Rosalie que empalideceu.
–Teria coragem de fazer isso comigo? Com os gêmeos? Você acabaria com a minha família, Bella.
–Você não está me deixando opção, Rosalie. – murmurei.
Eu realmente sabia o perigo de revelar o segredo dos gêmeos.
Era algo que eu pensei que nunca faria.
Mas eu estava desesperada.
Rosalie não sabia o significado de amor incondicional.
Mas estava prestes a descobrir.
Pelos meus filhos eu era capaz de qualquer coisa.
Eu fora capaz de entregá-los a Rosalie porque acreditava que estava fazendo o melhor.
Porque eu não era capaz de criá-los.
Mas eu estava enganada.
Eu estava ali justamente fazendo isto.
Era eu quem cuidava daquelas crianças desde que nasceram.
Eu podia não ser a mãe no papel.
Mas era quem os amava como tal.
E não era uma questão de duvidar do amor de Rosalie.
Mas eu estava aprendendo naqueles meses que o significado de maternidade para Rosalie era bem diferente do meu.
E simplesmente não podia deixar meus bebês sendo criados naquela base.
Eu me enganara aquele tempo todo, apenas deixando os dias passarem, me achando agradecida por simplesmente poder estar perto deles.
Feliz por poder estar ali, tendo a oportunidade de vê-los crescer. De cuidar deles, amamentá-los. Fingindo que estava tudo bem, que o fato de Rosalie não ser a mais paciente ou presente das mães não tinha importância. Porque eles tinham a mim.
E de certa forma egoísta e secreta, eu até preferia assim. Era de mim que eles precisavam. E não dela.
Mas agora tudo ruía.

Rosalie estava claramente se livrando de mim. Exercendo os poderes que eu mesma concebera a ela quando eles nasceram.
E o que eu podia fazer?
Eu estava perdida.
–Eu espero que não esteja falando sério. – Rosalie falou por fim. – Contar a verdade não é a saída, Bella. É apenas o fim de todos nós. Seria o fim do meu casamento. Seria o fim da minha família. E você estaria preparada para isto? Para contar a Edward que escondeu dele a paternidade dos bebês? O que aconteceria, Bella? Pense bem nisto, Bella. Pense nas conseqüências. Nada de bom vai sair da verdade. Apenas mais infelicidade. – Rose murmurou, enxugando os olhos e se afastando, abrindo a porta.
–O que vai acontecer agora? – indaguei num fio de voz.
–Eu não sei... – Rose murmurou, fechando a porta atrás de si.
Eu fiquei ali, se sentindo mais sozinha do que nunca.
Então eu me levantei e fui para o quarto dos bebês.
Eu precisava estar perto deles.
Mas ao abrir a porta, me surpreendi ao ver Emmett lá.

–Oi Bella, está mais calma? – ele indagou seriamente.
Eu assenti, mas sabia muito bem que ele percebia meu estado, meus olhos vermelhos e meu rosto pálido.
–Eu realmente sinto muito por isto. Sei que é apegada aos bebês.
–Eu não queria deixar os bebês, Emmett. Eu os amo... como se fossem meus. – murmurei.
–Eu sei, mas eles não são seus.
Era agora.
Eu podia abrir a boca e dizer: “sim, eles são”.
E me livrar de vez daquele segredo horrível.
Mas e depois?
No fundo eu sabia que Rosalie tinha razão.
O pacto que nós fizemos não tinha volta.
Não sem destruir a todos que nos rodeavam.
–Eu sei. – murmurei por fim.
–Você precisa seguir com sua vida. É jovem, com certeza ainda vai ter seus próprios filhos. Fez um trabalho fantástico com os gêmeos.
–Mas está me demitindo porque fiz sexo com seu irmão. – falei com ironia.
–Não é só isto. Sabe disto. Quando Edward me contou... tive impressão que tem muito mais nesta história. Mas isto só pode dar em mais problema, Bella. E acho que sabe tanto quanto eu que o mais sensato é ir embora.
Eu assenti.
Claro que eu sabia o que era mais sensato.

Se eu fosse embora, tudo ficaria como estava.
O segredo de Rosalie estaria garantido.
Os Cullens continuariam como sempre foram.
Edward Cullen provavelmente me esqueceria e talvez até se casasse com a insuportável da Tanya Denali.
Tivesse filhos com ela.
E eu, eu seguiria em frente.
Provavelmente morrendo um pouco a cada dia, porque deixaria o que eu mais amava para trás.
Meus bebês.
E se ao menos eu soubesse que eles ficariam bem... Talvez fosse um pouco mais fácil.
Mas eu estava longe de ter esta certeza e isto me consumia.
Emmett se levantou.

–Eu só pediria que você ficasse até arranjarmos outra babá.
–Claro. – murmurei, sentindo meu coração se afundando no peito um pouco mais.
Emmett saiu do quarto silenciosamente e eu me aproximei do berço.
Noah dormia tranqüilamente. Passei os dedos por seus cabelos claros. Cabelos cor de areia. Iguais de Edward.
Senti uma vontade imensa de chorar.
Como é que eu podia deixá-los? Era doloroso demais.
Me aproximei do berço de Sophie.
Ela estava acordada e sorriu ao me ver, soltando gritinhos e estendendo os bracinhos para mim.
Eu a peguei, aconchegando seu corpinho morno em meu peito e beijando sua testa.
E chorei.
Não sei quanto tempo fiquei ali, chorando e me consumindo numa dor sem fim.
Meus pensamentos se debatendo em mil possibilidades, sem achar uma solução coerente. Ou justa.
Sempre alguém sofreria no final.
Mas pelo menos eu estava com meus filhos.

Ainda podia senti-los perto de mim.
Podia me enganar mais um pouco que eram realmente meus.
Que nada e nem ninguém poderia nos afastar.
Naquela noite eu os levei para meu quarto e os coloquei na cama comigo.
Não estava preparada para me separar deles por nem um segundo. Como se temesse que quando eu menos esperasse, eles fossem levados de mim para sempre.
E quando acordei, Rosalie estava entrando no quarto.
–Oh, eles estão aqui. – ela disse com um certo alívio.
Eu me sentei na cama com cuidado para não acordá-los.
–Sim, estão.
–Eu fiquei com medo quando não os vi.
–Medo por quê? Achou que eu ia fugir com eles?
Ela deu de ombros.
–Eu não sei. Você me ameaçou ontem.
–Eu não queria.
–E o que decidiu?
Eu suspirei pesadamente.
–Eu acho que tem razão. Que é tarde demais para este segredo ser revelado.
Ela parecia aliviada quando sentou na cama e segurou minha mão.
–Eu sinto muito, Bella. Sinto muito mesmo... Não queria que nada disto tivesse acontecendo, eu vou dar um jeito nisto. Eu prometo que vou convencer Emmett a não te mandar embora, claro que não quero afastá-los de você...
–Acha que consegue? – eu senti uma ponta de esperança.
–Eu acho que sim. Emmett está sendo influenciado pelo Edward, então precisamos que ele vá embora, e assim que ele se for... tenho certeza que Emmett cairá na real e verá que não há problema algum em você continuar como babá dos gêmeos! Tudo vai dar certo, Bella... Edward irá embora quando voltarmos de Nova York. Ele já disse isto ao Emmett.
–Disse? – indaguei num fio de voz.

Havia alívio em mim, mas também existia um estranho pesar.
Eu devia me sentir feliz por ele ir embora. Mas não me sentia.
–Sim, já está tudo acertado, eu os vi conversando sobre isto ontem à noite.
–E ele irá para Nova York?
–Não sei. Tanya já foi, então não posso contar com ela para convencê-lo. Mas não se preocupe, não ficará sozinha aqui, Carlisle não vai, tem plantão no domingo.
–Os gêmeos não vão então?
–Não seria conveniente. Seria uma viagem cansativa para eles.
–Sim, eu concordo. – eu me sentia feliz por saber que poderia ficar sozinha com os bebês. - E quando vocês viajam?
–Hoje à tarde. O noivado é amanhã.
Ela se levantou
–Eu preciso ir arrumar minhas malas e também tenho hora marcada no cabeleireiro... os bebês precisam de algo?
–Não, está tudo bem. Eu cuido deles.
Rosalie sorriu.
–Então eu já vou.
Ela saiu do quarto e enquanto eu cuidava dos bebês, amamentando e os trocando, me perguntava se Rosalie realmente conseguiria convencer Emmett.
Naquela manhã eu não vi Edward.
E achava melhor assim. Eu ainda estava ressentida com ele, por ter me colocado naquela situação.
Esme veio ver os bebês e pelo seu comportamento eu intuí que não sabia de nada.
Então nem Rose, ou Emmett e até mesmo Edward tinham contado algo ao resto da família ainda.
Eu me sentia aliviada com isto.
Um problema a menos para lidar.
E no começo da tarde, Emmett, Rosalie e Esme se despediram dos gêmeos para viajar.
Rosalie beijou Sophie e a colocou no meu colo, depois que Emmett e Esme já tinham se afastado.
–Edward foi para o seu apartamento. Pelo menos pra isto Emmett serviu. Ele o convenceu que seria melhor ele ficar lá.
–Sim, eu me sinto melhor assim. – murmurei.

E era verdade.
Naquele momento seria demais pra mim também ter que lidar com atração perigosa que eu sentia por Edward.
Desejo e ressentimento era uma combinação nada saudável.
Quanto mais longe ele estivesse, melhor.
–Qualquer problema me liga.
–Nós ficaremos bem.
–Eu prometi que vou tentar, Bella, confia em mim. – ela disse em meu ouvido e se afastou.
E eu me sentia aliviada ao me ver sozinha com os bebês.
Por aquele fim de semana eles seriam só meus.
E eu só esperava que estes não fossem os últimos momentos com eles.
E pensar nisto me deixava triste e apreensiva.
Rose havia dispensado os empregados e eu coloquei os bebês no carrinho e os levei para a cozinha.
Peguei o telefone e disquei para minha mãe.
Naquele momento tudo o que eu mais queria era poder ouvir a voz dela.
Queria ter coragem de contar tudo. Contar sobre os bebês.
E não me sentir tão sozinha e perdida.
Mas eu não fiz isto.

Apenas fiquei conversando com ela, ouvindo sobre sua vida com Phil, seu novo marido, seus cursos malucos.
–E você, querida, como está?
–Estou bem..
–Não me parece. Sua voz está triste.
–É impressão tua.
–Sabe que se estiver com algum problema pode me contar, não é?
Eu senti um nó se formar na minha garganta e comecei a chorar.
Seria fácil falar agora... eu precisava tanto desabafar...
–Mãe, eu... – então eu levantei a cabeça e tomei um susto ao ver Edward na porta da cozinha me encarando.


**Pov Edward**


Como todas as vezes que eu fora atrás dela, esta não era diferente.
Eu sabia que estava cometendo um erro.
Mesmo assim eu era incapaz de recuar.
E era como se ficasse pior a cada momento.
Depois que decidira contar a verdade a Emmett, ou ao menos parte dela, eu achara que ia me sentir aliviado.
Não gostava de saber que Emmett estava cego à situação de sua babá.
Ou ao menos era isto que eu dizia a mim mesmo naquela tarde, mas bem lá no fundo eu sabia que havia outras razões menos altruístas para eu contar sobre Bella e o clube.
Eu estava furioso com ela.
Furioso, frustrado, enciumado.

Vê-la preferir Mike Newton era um inferno.
E ela deixara claro, com todas as letras, que não havia nada mais entre nós.
Nunca mais haveria.
E eu deveria deixar pra lá. Eu sabia desde o começo que não ia dar em nada.
Não podia dar em nada.
Mesmo assim, lá no fundo, eu almejava coisas impossíveis.
Como poder ser eu a estar com ela num encontro ou num almoço de família.
Mas obviamente tudo isto era absurdo e ridículo.
Isabella Swan não era pra mim, nunca fora.
Então tudo o que eu podia fazer era contar ao Emmett quem era sua babá e deixar que ele fizesse o que bem entendesse com esta informação.
–Você trepou com a nossa babá? Puta que pariu, Edward! – Emmett exclamara estupefato.
–Ela não era sua babá.
Obviamente, eu deixara de fora a parte do que tinha acontecido depois que eu reencontrara Bella.
Ele passou a mão pelos cabelos.
–Está querendo me dizer que a Bella é uma garota de programa?
–Ela estava naquele clube dos Volturi, e Aro me disse que todas as garotas eram contratadas.

Emmett soltou outro palavrão.
–E você trepou com ela e depois a encontra aqui...
–Sim, a encontrei. Qual não foi minha surpresa ao saber que aquela garota de máscara agora era uma babá.
–Devia ter me contado isto antes, Edward...
–Eu contei para Rosalie.
–O quê? E ela não me disse nada.
–Ela disse não acreditar em mim, e que Bella era de confiança.
–Confiança? Uma garota de programa? Tenho minhas dúvidas! Deus, ela nos enganou direitinho!
–Mas ela cuida bem dos seus filhos, não é? – eu me surpreendi ao defender Bella.
Mas esta era a verdade, não era? Ela realmente parecia uma boa babá, apesar do passado obscuro.
–Não interessa. Como posso confiar nela? Como posso saber se ainda não freqüenta estes lugares? Eu não tenho preconceitos não, mas como uma garota assim pode ser babá de crianças? Não, vai ser impossível ela continuar aqui.
–Quem não pode continuar aqui? – Rose entrou no escritório naquele momento, sorrindo, mas seu sorriso morreu no rosto ao ver o rosto sério de Emmett. – O que aconteceu?
–Edward me contou sobre Bella.
Rose empalideceu.
–Contou?
–E disse que você já sabia. Por que escondeu isto de mim, Rosalie?
–Porque eu não acredito em nada disto!
–Mas é verdade e eu acho que você sabe muito bem! Mas está defendendo a Bella!
–Bella é uma ótima babá mesmo! Claro que eu a defendo!
–Uma garota destas não pode cuidar de bebês, Rose, pelo amor de Deus!
–Está exagerando, Em...
–Não estou, não. Temos que demiti-la. Agora.

Rose ainda tentara argumentar, mas Emmett estava irredutível e Rosalie acabara concordando e mandara chamar Bella.
–Tem certeza que vai demiti-la? – indaguei para Emmett.
De alguma maneira eu não me sentia bem com aquilo.
Com Emmett mandando Bella embora.
Óbvio que eu sabia que Emmett podia decidir isto, afinal, eram os filhos dele que estavam envolvidos.
Mas sendo Bella uma ótima babá, eu achara que ele hesitaria.
–Sim, é o melhor a fazer...
Ele parou de falar quando Bella entrou no escritório.
Ela ainda usava o jeans do almoço.
Parecia muito jovem e apreensiva naquele momento.
Eu tive vontade de me aproximar e dizer que tudo ia ficar bem.
Mas sabia que era uma mentira. Nada ficaria bem para Bella agora.
E de repente eu me senti terrivelmente culpado.
–Pediu para me chamar?
–Sim, Bella. – Rosalie disse trocando um olhar com Emmett. – Bella, sinto muito. Mas... Nós precisamos demiti-la.

– O quê? – balbuciou atordoada. – Não estou entendendo.
–Bella, lamento que as coisas estejam acontecendo desta maneira. Mas precisamos demiti-la. – Emmett afirmou e Bella empalideceu, buscando o olhar de Rosalie.
–Rosalie... O que está acontecendo?
–Bella, eu sinto muito mesmo, sabe o quanto que isto está sendo duro pra mim, mas... – ela parou, respirando fundo e foi Emmett novamente quem falou.
–Bella, o Edward me contou sobre o clube.
Ela me encarou. Olhos acusadores. Frios.
– O que ele contou? – indagou por fim, desviando o olhar.
Parecia mais controlada agora.
–Acho que eu não preciso repetir, Bella. – Emmett falou. – Você sabe muito bem do que estamos falando e tem de convir que não podemos mais tê-la como babá.
–Mas antes de saber disto vocês podiam! – sibilou e encarou Rosalie. – Rose, por favor, fale para ele... Você não pode fazer isto!
–Bella, por favor, não torne isto mais difícil do que já está sendo...
–Sim, Bella, toda esta situação é difícil para todos. – Emmett falou. – Nós gostamos de você e do seu trabalho...
–Então por que está me demitindo? Porque eu transei com seu irmão?
–Você era uma garota de programa, Bella.
–O quê? – ela me encarou consternada. – Você disse isto? Está maluco? Como pode inventar tal coisa?

–Eu não estou inventando. Quando eu a conheci naquele clube eu achava que era apenas uma garota se divertindo. Mas depois eu fiquei sabendo pelo próprio dono daquela casa de onde todas aquelas garotas tinham vindo.
–Eu não sou nem nunca fui uma prostituta! – negou.
–Mas estava naquele clube.
–Eu estava lá para fazer uma matéria para a faculdade! Eu estudava jornalismo.
–Acha que eu acredito nisto? – indaguei com ironia. Mas de alguma maneira, sua afirmação fazia sentido pra mim. Talvez ela tivesse inventando, mas... no fundo eu queria acreditar no que ela dizia.
Queria que ela não fosse nada daquilo que eu pensava.
Por isto mesmo eu ainda tinha que acreditar que ela bem podia estar mentindo.
–Não me interessa no que você acredita! Sempre vai achar que eu não presto! Mas agora é meu trabalho que está em jogo! E você está aqui me difamando apenas porque eu não quero mais ir pra cama com você!
–Eu apenas queria deixar meu irmão ciente de quem era a babá dos seus filhos.
–Inventando coisas sobre mim? Você é um cretino, Edward!
–Pelo menos eu não minto, fingindo ser quem eu não sou.
–Não sabe nada sobre mim!
–Pelo amor de deus, chega vocês dois com esta discussão! – Rosalie pediu. – Acho que devemos esquecer esta história. Eu acredito que a Bella está falando a verdade. Ela é mesmo uma estudante. Eu a conheci como tal e se ela diz que estava lá para fazer uma matéria, é porque é verdade!
–Fazer a matéria constituía em foder com todos os homens da festa? – Emmett perguntou com sarcasmo e Bella o encarou furiosa.
–Eu não transei com todos os homens, apenas com seu irmão e me arrependo disto todos os dias desde então.

–Quer mesmo que a gente acredite nisto?
– Eu estou falando a verdade. Eu tinha uma colega de quarto que queria fazer uma matéria investigativa sobre aquele clube. Ela não pôde ir, então eu fui no lugar dela. Eu sei que nunca deveria ter ido e muito menos... Ter transado com seu irmão. Mas infelizmente aconteceu. E eu não acho que isto me classifica de prostituta. Apenas como uma idiota. E com certeza não sou a primeira e nem a única. E muito menos me orgulho disto.
Eu mal respirava ouvindo aquelas palavras.
Será mesmo então que era verdade?
Minha mente dava voltas, voltando àquele clube, quando a conhecera.
O jeito que ela fugia de mim... o jeito que ela parecia não combinar com o lugar...
E eu voltara atrás dela muitas vezes. E nunca mais a vira lá.
E agora ela reaparecia ali, na casa da minha família.
Como uma babá inocente.
Eu achava que estava inventando aquela inocência.
Mas muita coisa fazia sentido agora.
–Mesmo que isto seja verdade, Bella. – Emmett disse por fim. – Acho que realmente é melhor ir embora.
–Mas eu disse que não sou nada disso que Edward me acusou!

–Eu sei, até entendo você. Mas depois de tudo isto, e seu envolvimento com meu irmão... é uma situação embaraçosa e insustentável. Vai ser melhor para você se afastar.
Ela começou a chorar.
E eu senti um aperto no peito.
–Eu não posso ir embora...
–Eu sinto muito, Bella.
Ela se levantou.
–Rosalie, fale para ele. Eu não posso ir, não posso deixar os bebês.
–Bella, fique calma. – Rose pediu.
–Calma? Como posso ficar calma quando está me mandando embora?
–Emmett tem razão, é uma situação insustentável sua presença aqui. Sabe disto, Bella. 
–Sim, Bella, por favor, entenda nossa situação também. – Emmett continuou.
–A situação de vocês? É só isto que pensam, não é?
Eu me aproximei, disposto a tirá-la dali.
–Bella, é melhor se acalmar. – toquei seu braço. - Vamos sair daqui, acho que precisamos conversar.
Mas ela afastou minhas mãos com um safanão.
–Tire as mãos de mim! – gritou. – Eu odeio você. Tudo isso está acontecendo por sua culpa! Não consegue entender que eu não quero mais nada com você! Que você me faz mal! Desde o dia em que te conheci tudo virou um pesadelo! E deve estar feliz agora, não é? Teve sua pequena vingança sobre mim!
–Edward, deixa a Bella em paz. – Rosalie pediu se aproximando e a segurando. - Bella, fique calma. Vamos dar um jeito em tudo, vai ficar tudo bem... vem, vamos sair daqui...
E eu as vi desaparecer por afora.
Passei os dedos pelos cabelos, me sentindo ainda mais frustrado e perdido do que antes;
Eu queria ir atrás dela.

Queria exigir a verdade.
Queria saber por que ela não me dissera antes que não era realmente uma das garotas daquele clube.
Tanta coisa podia ser diferente...
A nossa historia podia ser diferente.
–Uau, isto foi difícil. - Emmett murmurou.
Eu o encarei.
–Ela não está aceitando ir embora.
–Vai ter que aceitar. Eu já decidi.
–Mesmo ela dizendo que não era uma garota de programa?
–Edward, isto não anula o que aconteceu. Esta situação de vocês... é algo difícil.
–Eu nem moro aqui, Emmett.
–Mesmo assim, isto vai sempre existir. Acha que eu não percebi o jeito que olha pra ela?
–Isto é problema meu.
–Se ela é minha babá, é problema meu. Não, ela não pode ficar aqui.
–Acha que vai achar outra babá como ela?
–Claro que sim. E uma hora ela iria embora mesmo. É jovem, não ia querer ficar aqui pra sempre.

Eu tentei acreditar nas palavras de Emmett.
Que uma hora Bella deixaria o emprego de babá mesmo.
Mas mesmo assim, me lembrar de sua consternação, do seu choro, ao dizer que não podia ir embora, me perturbava.
E eu saí do escritório e subi as escadas, disposto a falar com ela.
Não sei o que ia dizer. Pedir desculpas?
Provavelmente ela me odiasse agora e nem ia querer me ouvir.
Mesmo assim eu precisava saber se ela estava bem.

Mas encontrei Rosalie no corredor com cara de poucos amigos.
–Espero que não tenha vindo perturbar mais a Bella.
–Eu quero apenas conversar com ela.
–Não vai falar com ela.
–Não pode me impedir.
–Posso e vou. Bella não quer falar com você. Acha que ela está satisfeita com o que você fez?
–Eu tinha que contar ao Emmett.
–Você inventou coisas horríveis dela!
–Eu achava que eram verdadeiras.
–E agora ela perdeu o emprego por sua culpa. Óbvio que ela não quer ver você na frente dela, e eu concordo! Então, faça um favor a todos e vá embora, Edward. Vá ficar no seu apartamento até voltar a Europa, é o melhor que faz. Já causou confusão demais aqui.
Eu respirei fundo, irritado.
Claro que Bella estava brava, então talvez este não fosse o momento para termos uma conversa.
–Tudo bem. Eu vou arrumar minhas coisas e vou embora
–Devia ir com a gente para Nova York. Tanya ia gostar disto.
–Eu não estou com humor para isto no momento.
–Tudo bem.

Eu me afastei e fui pro meu quarto, arrumei minhas coisas e parti ainda naquela tarde para meu apartamento.
Mas eu continuei a pensar nela.
Em Isabella Swan.
Ela não teria indo embora ainda. Afinal, Emmett e Rosalie viajariam para Nova York e deixariam os bebês.
Então eu decidi que este seria o momento perfeito para ir conversar com ela.
Eu me certifiquei de que Emmett e Rosalie tinham mesmo partido e voltei para casa.
E a encontrei na cozinha. Sentada com os pés encolhidos junto ao corpo. Ela chorava ao telefone, quando levantou a cabeça e me viu.
–Mãe, eu... te ligo depois. – murmurou ao desligar o aparelho.
Mordia os lábios nervosamente, enquanto enxugava o rosto rapidamente, sem me encarar.
Então ela falava com a mãe, pensei curioso. Onde será que estariam os pais dela?
Me dei conta de que não fazia nem ideia se ela realmente tinha uma família.
Eu não sabia absolutamente nada sobre ela.
Quando me olhou de novo, seu olhar era tão frio quanto um iceberg.

–O que veio fazer aqui? Não há ninguém casa.
–Eu sei. Justamente por isto estou aqui.
–Para quê?
–Precisamos conversar.
–Não temos nada para falar.
–Temos sim. Bella, eu sei que está com raiva de mim, mas eu tinha que contar ao Emmett.
–Tinha? Tinha que inventar histórias absurdas sobre mim?
–Eu acreditava que eram verdadeiras!
–Claro, sempre pensou o pior de mim!
–Você nunca fez ser diferente, desde que nos encontramos naquele clube, agiu para que eu pensasse que era uma...
–Promíscua? Vagabunda? Tudo isto eu já sabia, e até entendo! Afinal, eu realmente agi como uma, mas eu não achei que pensasse que eu fosse uma garota de programa!
–Todas as garotas que estavam lá são, o que queria que eu pensasse? Por que não me disse a verdade?
–Lá no clube? - ela riu sem humor. – Eu estava fingindo ser uma delas! Eu precisava que acreditasse que eu fosse uma delas.
–Por isto transou comigo?
Ela desviou o olhar, respirando fundo.
–Por que temos que falar disto agora? Que diferença faz? Foi um erro. Tudo o que se refere aquele maldito lugar foi um erro. E eu tenho me esforçado para esquecer. E se você não tivesse aparecido...

–Mas eu apareci. E também não esperava encontrar você aqui! E por que não me disse agora a verdade, Bella?
–Pra quê?
–Eu poderia nunca ter dito nada a Emmett para começar.
–Ah claro, teria simplesmente me deixado em paz?
Sim, era a mesma pergunta que eu me fazia.
O que teria acontecido se ela tivesse me contado a verdade?
Que não passava de uma simples estudante de jornalismo. Que fingia ser uma garota de programa naquele clube?
Que nunca tinha transado com todos aqueles caras..
Mas ela havia transado comigo.
Duas vezes.
E tinha transado de novo agora.
Se eu soubesse a verdade o que podia ser diferente?
Eu não podia negar que de alguma forma era diferente agora.
Havia um alívio imenso de saber que ela não passara de mão em mão em naquele clube.
Apenas minhas mãos estiveram nela.
Apenas eu estive dentro dela.
E ainda queria saber por quê
–Não. – respondo por fim. – Eu não teria desistido de você.
E não queria desistir agora. Esta era a verdade.
Não importava o que ela dizia.
Eu ainda sentia aquele mesmo desejo. Aquela vontade de me aproximar, segurar seu rosto e beijar sua boca, até que não restassem dúvidas do que queríamos.
Desde o primeiro momento em que nossos olhares se cruzaram naquele clube, não havia escapatória.
Era para estarmos juntos.
E eu cheguei a dar um passo em sua direção, movido por aquela velha atração magnética, sabendo que ela já antecipava isto, podendo ver a apreensão em seus olhos.
Quando ouvi um choro de bebê.

Parei automaticamente, olhando ao redor e vendo um carrinho duplo, com os gêmeos dentro.
A menina chorava, enquanto o garoto dormia.
Bella saiu do transe e se moveu rapidamente, pegando Sophie no colo.
–Shi... não precisa chorar... – murmurava, a embalando, mas a menina continuava a gritar.
–Ela vai acordar o irmão dela deste jeito. – falei e Bella me lançou um olhar de “é sério” cheio de ironia e se moveu pela cozinha abrindo a geladeira e pegando um jarro de leite.
Eu a vi tentando acender o fogão enquanto Sophie se debatia em seu colo.
Ela me fitou.
–Acho melhor ir embora. – disse, soltando uma imprecação.
–Nós estamos conversando.
–Eu tenho trabalho a fazer, se não reparou?
Eu me aproximei e estendi o braço.
–Deixa que eu a seguro enquanto faz isto.
–Não...

Mas ignorando sua negativa, eu tirei Sophie do seu colo.
–Vai terminar mais rápido sem ela no colo. – falei e Bella bufou, voltando a fazer mamadeira.
Ao trocar de colo, Sophie me encarou com os olhinhos castanhos curiosos. O rosto estava molhado de lágrimas e vermelho do esforço de chorar. Agora ela só soluçava.
Eu sorri.
–Você é barulhenta quando está com fome. – murmurei e ela voltou a chorar, agora se contorcendo no meu colo em direção a Bella. – Acho melhor andar logo com isto. – murmurei, sem saber o que fazer.
Bella desligou o fogo e colocou o leite na mamadeira.
–Ela vai parar em um minuto, está apenas faminta.
–Percebi...
Bella terminou a mamadeira e estendeu o braço para pegá-la de volta.
Mas neste momento, Noah acordou também chorando.
Bella revirou os olhos.
–Acho que eles fazem de propósito.
Eu ri e peguei a mamadeira de sua mão.
–Vá cuidar dele, eu dou a mamadeira para Sophie.
Ela hesitou, mas eu tratei de colocar a mamadeira na boca de Sophie, que parou de chorar no mesmo instante, sugando satisfeita.

Bella se afastou e pegou Noah. Ele parecia mais calmo, embora chorasse, e Bella rapidamente colocou mais leite em outra mamadeira e deu a ele.
O barulho de choro cessou na cozinha.
Nós nos encaramos com alívio.
E eu sorri.
–Por isto que Rosalie tinha três de vocês, agora entendo.
–É um exagero. Eu dou conta dos dois sem problemas. - ela rebateu.
–Eu já ouvi falar que leva jeito mesmo, mas mesmo assim, existem momentos que é difícil fazer isto sozinha, ainda mais sendo dois.
Ela deu de ombros.
–As mães cuidam de gêmeos do mesmo jeito que um só!
–A mãe deles não cuidaria nem de um. – respondi.
Bella abriu a boca para rebater, mas de repente se calou, como se arrependesse do que estava dizendo.
Provavelmente não queria falar mal de Rosalie.
Mas eu conhecia minha irmã e sabia como ela era.
E todo mundo naquela casa sabia que quem cuidava mesmo dos bebês era Bella.
Mesmo sendo tão jovem, ela parecia ter um dom natural.
Seria uma boa mãe um dia.
–Atrapalho?
Nós dois nos viramos e Mike Newton estava parado na porta.

–Mike! – Bella exclamou surpresa.
Ele sorriu timidamente.
Eu tive vontade de quebrar tosos seus dentes.
Que diabos aquele idiota estava fazendo ali?
–Oi, Bella. – ele me encarou. – Olá, Edward.
–O que veio fazer aqui? –indaguei, ignorando seu cumprimento.
E Mike pareceu meio intimidado
–E vim fazer uma visita a Bella... achei que ela estaria livre, que os gêmeos estariam viajando com os pais...
–Veio atrás dela porque achou que estaria sozinha?
–Edward... quer dizer, senhor Cullen! – Bella exclamou,vermelha, e encarou Mike. – Como pode ver, eu não estou livre, os bebês ficaram, seria cansativo para eles.
–Ah. – Mike parecia decepcionado. – Eu não queria atrapalhar...
–Mas não atrapalha. – ela disse rapidamente, olhando para Noah que acabava a mamadeira. – Eles estão acabando de mamar, e se quiser esperar...
–Bella, achei que estivéssemos no meio de uma conversa séria. – falei, tentando ficar calmo e não colocar Mike Newton para fora com pontapés.
–Achei que já tínhamos terminado... senhor. – murmurou. – Aliás, eles já terminaram de mamar. – continuou, pegando a mamadeira de Noah e colocando sobre a pia.
Eu olhei para Sophie e ela também tinha terminado a dela.
–Acho melhor eu ir embora, Bella. – Mike falou.
–Não, espera. Eu vou levá-los lá pra cima para trocá-los e já desço para conversarmos.

Ela estendeu a mão para que eu passasse Sophie pra ela.
–Não, deixa que eu a ajudo a levá-los.
Ela deu de ombros e nós subimos com os bebês.
Quando chegou ao quarto, ela colocou Noah no berço e pegando Sophie do meu colo, fez o mesmo, me encarando.
–Eu vou apenas trocá-los, se quiser ir embora...
–Para ficar sozinha com Mike Newton?
Ela me encarou irritada.
–Claro que sim! – respondeu irônica.
Eu respirei fundo.
Certo. Eu teria que dar um jeito naquilo.
–Tudo bem, eu vou embora.
Ela me encarou incrédula, mas eu me afastei, deixando-a sozinha com os gêmeos.

Mike Newton estava na sala.
–Eu realmente não queria ser inconveniente... – disse.
–Olha, Mike, acho que precisamos ter uma conversa.
–Conversa?
–Sim, sobre você e Bella.
Ele ficou confuso.
–Bom, espero não estar atrapalhando o trabalho dela, Rosalie disse que eu podia vir aqui...
–Não pode mais procurá-la.
–Não? Mas...
–Você não pode, porque ela está saindo comigo.
Mike arregalou os olhos, estupefato.
Eu quase podia rir, mas permaneci sério.
O que eu dizia não era bem verdade, mas estava bem perto.
–Você e a Bella? Mas...

–É um segredo. Minha família não sabe.
–Mas a Bella não me falou.
–Ela iria dizer.
–Uau... cara... me desculpe... eu não sabia... olha, não aconteceu nada, nós apenas saímos uma vez... eu...
–Tudo bem Mike, apenas fique longe dela.
–Claro, eu entendo... eu não vou voltar mais aqui... – ele se levantou. – Bom, eu vou embora, se despeça de Bella por mim.
–Pode deixar.
Mike se afastou quase correndo e quando Bella desceu as escadas, ela olhou em volta.
–Cadê o Mike?
–Teve que ir embora.
–Mas... – ela me encarou desconfiada. -O que você fez?
–Não fiz nada. Ele apenas disse que ia embora. E foi.
–Eu não acredito.
Dei de ombros.
–Acredite no que quiser, Bella, mas estávamos tendo uma conversa.
Ela rolou os olhos.
–Olha, Edward, eu...
–Olá.

Eu já ia soltar um palavrão com mais esta intromissão se a pessoa que tivesse entrado na sala não fosse meu pai.
–Oi, pai.
Ele olhou de mim para Bella.
–Tudo bem? Todos já viajaram?
–Sim, eles já foram. – respondi. – E achei que o senhor estivesse de plantão.
–O plantão é amanhã. Hoje poderei fazer companhia para a Bella e os bebês. E você faz o que aqui? Achei que estava no seu apartamento.
–Sim, estou. Mas eu precisava conversar com a Bella.
Carlisle franziu a testa.
–Com a Bella?
–Sim.
Carlisle suspirou.
–Por acaso tem a ver com alguma coisa que anda acontecendo nesta casa a alguns dias e ninguém quer falar sobre? Rosalie e Emmett disseram que irão conversar comigo e sua mãe quando voltarem.
–Sim, acho melhor eles mesmos falarem com vocês. Mas aproveitando que você irá ficar em casa hoje, será que se importaria de ficar com os gêmeos? Eu vou levar a Bella para jantar.
Bella, que estava em silêncio todo aquele tempo, me encarou horrorizada.

–O quê? – balbuciou.
E Carlisle nos fitou surpreso.
–Vai levar a Bella para jantar fora?
Eu sorri, dando de ombros.
–Qual o problema?
Carlisle passou a mão pelos cabelos.
–Edward...
–Não, ele não vai me levar para jantar... – Bella exclamou. –Está sendo absurdo, Edward.
–Qual o problema num jantar, Bella? Nós precisamos conversar.
–Mas eu não posso ir, sabe disto.
–Está falando dos gêmeos?
–Bom, eu posso cuidar deles, claro. – Carlisle disse ainda parecendo confuso e surpreso. – Acho que podem ir.
–Então está tudo certo. – eu me levantei, olhando relógio. – Bella, eu passou aqui para te pegas às 20h.
E me afastei, antes que ela colocasse mais objeções.
Eu não queria mais objeções.
Eu não queria mais nada entre mim e Bella.


**Continua**



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