03 junho 2014

Nova Entrevista de Robert Pattinson para o "The Hollywood Reporter"


No dia 21 de Abril de 2012, Robert Pattinson pegou num “Toyota Camry” alugado, fazendo uma viagem de 10 minutos de sua casa, em L.A no bairro “Los Feliz” para “Koreatown”. O actor estava ansioso; estava prestes a fazer uma audição para um papel que queria desesperadamente, e as audições não são o seu forte. “Odeio audições”, diz ele. “Simplesmente não as consigo fazer. Fico tão nervoso, extremamente nervoso. Correm-me sempre pessimamente, e depois sinto-me horrível.” Tampouco foram os nervos acalmados pelos seus recentes trabalhos no cinema “indie”. Filmes como “Bel-Ami” ou “Little Ashes” têm ido e vindo duma forma estrondosa, e “Cosmopolis” irá desvanecer-se em breve – todos os “squibs” comparados com Crepúsculo, que arrecadou 3.3 milhões de dólares nas bilheteiras e trouxe a Pattinson 20 milhões de dólares somente no último filme.

Ele queria este papel – precisava dele – para provar que não era apenas um vampiro obscuro com 100 e tal anos, iridescente, um pouco sem graça, designado por Edward Cullen. Assim, ele chegou ao seu destino: jovem, bonito e famoso, preocupado como tudo. “Foi terrível”, diz ele. “É realmente raro quando quero imensamente algo.”

Ele não deveria estar nervoso (porém, isso poderá ter ajudado). “Ele estava branco como tudo”, diz David Michôd, o realizador australiano de “Animal Kingdom”, 2010, que colocou o actor numa maratona de três horas de audição, que incluiu longas conversas, leituras de algumas cenas e improviso, tudo para verificar se estava apto para desempenhar o papel de um membro do gangue com raciocínio lento, que sai em viagem pela estrada com Guy Pearce, por toda a Austrália, em busca de um carro roubado. “Ele aproximou-se imenso da personagem, comparada com os outros actores. A sua abordagem face à personagem não foi muito diferente da que eu queria. Foi emocionante porque eu imaginava-o já no filme.” 

Agora Pattinson espera que o público esteja entusiasmado, também, quando “The Rover” estrear dia 20 de Junho, após ser exibido no Festival de Cannes. “Combinando um híbrido de influências quase apocalípticas num trabalho com um carácter forte, “The Rover” sugere algo como uma visão, de Cormac MacCarthy, da Austrália atualmente e dos tempos de “The RoadWarrior””, diz o chefe crítico de cinema da “THR”, Todd McCarthy.

“The Rover” é um dos papéis, que Pattinson espera que o impulsione para a próxima fase da sua carreira, juntamente com a sátira de Hollywood, “Maps to the Stars”, do DavidCronenberg, que estreia em Outubro. Ambos são filmes de “art house”, ambos os trabalhos de amor, e imensamente diferentes de Crepúsculo, e ambos, igualmente, importantes para definir Pattinson como um adulto.

O actor aglomerou uma geração de adolescentes (e as suas mães), com uma franquia de vampiros, tornando-se incrivelmente famoso, e agora, aos 28 anos, pergunta, qual é o meu segundo ato?

Essa é uma questão que muitos dos colegas de Pattinson colocam, da saga Harry Potter, Daniel Radcliffe e Emma Watson; dos “Transformers”, Shia LaBeouf, que se têm esforçado para libertar-se da definição dada às suas carreiras devido a uma franquia e tantos outros atores que seguem o mesmo caminho.

Radcliffe teve um sucesso modesto no cinema e, por isso, voltou-se para a Broadway com produções aclamadas como “The Cripple of Inishmann”; Watson continua a ser o centro das atenções na moda, que fez o filme “Noah” e o seu próximo trabalho é “Beauty and the Beast”, de Guillermo del Toro; e LaBeouf, tem feito algumas aventuras, como “Nymphomaniac”, deLars von Trier.

Pattinson escolheu o seu próprio caminho claro: trabalhar com os melhores realizadores que poderá encontrar, desde Cronenberg a Werner Herzog (que o escolheu como T.E. Lawrence, em “Queen of the Desert”, este ano) a James Gray (que irá trabalhar com Benedict Cumberbatch, em “The Lost City of Z”).

Ele não é avesso a chamar os realizadores que adora imenso, como fez com o realizador de “Spring Breakers”, Harmony Korine. “Fomos jantar. Ele foi muito agradável. Mas demorou imenso tempo para me aperceber que podia fazer isso”, diz Pattinson sobre fazer ligações frias a realizadores. Korine está agora a escrever um guião para ele, que envolve mistério. “Ele não me dirá, ainda, do que se trata”, sorri Pattinson.

Sentado durante a hora de almoço, no dia 14 de Maio, zona este de Hollywood, no “SohoHouse”, onde chegou com o seu 1989 BMW preto conversível, parece notavelmente imperturbável pelos desafios que se avizinham. Vestido com uma calça preta e uma t-shirt branca, ele é luz, brilho e ansiedade para agradar e muito diferente da personagem assombrosa que o tornou famoso. “Fiz algumas entrevistas há algum tempo trás, e parecia que era um maníaco-depressivo prestes a matar-me”, diz ele. “Mas “Não sou!”.”

Nada lhe incomoda – nem o calor sufocante que está onde nos sentamos, nem os conhecidos que se mantêm distantes para não interromperem dizendo um “olá”, nem as minhas infindáveis perguntas sobre Crepúsculo, a saga de cinco filmes cuja libertação muscular, por vezes, o dominou.

“Tudo mudou quando começaram a fazer marketing, e o público geral começou a ver (os filmes) duma forma diferente, começando a empurrado o aspecto de “equipas””, diz ele sobre a experiência duma forma positiva. “Foi como: “Sou da equipa do Edward ou da equipa do Jacob”. Isso saturou tudo, e de repente, surgiu uma folga. Considerando que, com o primeiro (filme), não houve nada disso.”

A reação virou pessoal quando o relacionamento de Pattinson com a sua co-estrela, KristenStewart azedou, sendo esta apanhada com o realizador do filme “Snow White and the Hunstman”, Rupert Sanders, tornando-se Pattinson um “vampiro traído”, como um blog lhe chamou. Ele não falará sobre isso. Mas eles ainda mantêm o contacto? “Oh, sim”, diz ele alegremente.

Ele, em grande parte, é indiferente ao dinheiro (um pouco mais fácil quando se em uma enorme quantidade) e possui poucas coisas de valor material além da sua colecção de cerca de 17 guitarras. “Compro guitarras boas, isso é o meu único capricho caro”, diz ele, destacando “uma guitarra Gibson J100, de 1943 ou algo assim.”

Recentemente, vendou a 1922 mansão do bairro “Los Feliz”, que comprou por 6.270 mil dólares, há três anos atrás, porque sentia-se engolido pelo seu tamanho. “Era uma casa muito grande”, diz ele. “É incrível, como Versalhes. Foi absolutamente e completamente uma loucura. Tinha um jardim incrível, mas acabava sempre por ficar no quarto, por isso. Poderia viver basicamente numa cela, desde que tivesse uma janela.”

Desde então, tem vivido num espaço alugado dentro de um condomínio fechado em “ColdwaterCanyon”. A sua decoração é decididamente nula: mudou-se com apenas três colchões insufláveis e “uma cadeira de merda que tinha sido deixada pelos inquilinos anteriores (em “Los Feliz”)”, diz ele, rindo. “Eu mudaria os meus colchões nas diferentes salas, de acordo com a ocasião. Foi estranho, durante algo tempo.”

Desde a sua mudança, ele não foi capaz de localizar muitos dos seus bens, incluindo algumas peças de roupa necessárias. “Não percebo como é que não tenho nenhuma roupa”, resmunga ele. “Basicamente roubei cada peça de roupa que alguém me deu para uma première, mas no meu armário há no máximo três peças.”

Não consegue encontrar a sua adorada colecção de DVD’s. Um cinéfilo, que prefere filmes como “One Flew Over the Cuckoo’s Nest”, “Breathless” e o recente “Smashed”. Ainda assim, com uma auto-depreciação normal, esmaga qualquer indício que é um conhecedor. “Eu adorava tanto (a história do cinema) quando era adolescente, e pensei que isso iria impressionar as pessoas”, diz ele. “Mas, quando ficamos mais velhos, ninguém quer saber.”

Cronenberg elogia-o imensamente. “Ele é incrivelmente bem informado sobre o cinema, quase de forma académica”, diz ele. “Lembro-me de o procurar no set de Cosmópolis, e encontrava-o a falar com Juliette Binoche sobre filmes franceses obscuros, o que me surpreendeu. Mas, como acabei por conhecê-lo melhor, descobri que tem uma sensibilidade muito europeia. É muito inteligente, o que pode ser surpreendente, devido às personagens que tem interpretado.”

Na era pré-Crepúsculo, Pattinson mal sabia viver. Ele andava inconstantemente dentro e fora de Londres, dividindo um apartamento com o actor, Tom Sturridge, e ainda lambendo as suas feridas depois de ter sido demitido de uma produção de Roland Schimmelpfenning, “TheWoman Before”, no “Royal Court Theartre”. (“Eu não sei o porquê de ter sido demitido. Provavelmente disseram-me algo, mas estava tão furioso que não ouvi”, diz ele.)

Tropeçou em agir como um adolescente, elaborado pelas meninas bonitas que pairavam ao seu redor, participando em produções como a local “Barnes Theatre Company”, perto da casa dos seus pais, fora de Londres. O seu pai muitas vezes estava ocupado com o seu negócio de carros vintage, deixando Pattinson e a sua mãe e as suas duas irmãs mais velhas. Enquanto conciliava a representação, tinha um trabalho ocasional como modelo (a sua mãe trabalhava numa agência de modelos), então, como um actor adolescente, teve um papel bem-visto em 2005, no “Harry Potter e o Cálice de Fogo”. Não tinha a certeza do que queria fazer, e por momentos, pensou ingressar numa carreira política. Mas aos 21 anos veio para Los Angeles – dormir em casa do seu agente, Stephanie Ritz – para fazer a audição para um “rom-com PostGrad”.

“Gostei tanto do guião e pensava que sabia exactamente o que estava a fazer”, diz ele.“Então fui e arrasei completamente. E, sinceramente, lembro-me de falar com a minha família antes e depois de ir: “Está feito. Não consigo lidar mais com esta angústia.” E eu sabia, mais ou menos, que estava a estragar tudo. A culpa foi minha.”

Enquanto em L.A., quase como uma reflexão tardia, fez a audição para Crepúsculo, baseada no romance para jovens adultos de Stephenie Meyer sobre uma adolescente que se muda para uma pequena cidade de Washington e apaixona-se por um vampiro, um descendente imortal do clãCullen. Ele tinha gravado uma audição, em casa, em Londres, “com o Tom (Sturridge) a fazer de Bella.” Depois disso, a realizadora, Catherine Hardwicke, ligou-lhe às 2h30 da manhã, tendo uma “conversa ridícula, e eu não tinha lido nem o livro nem o guião, enganando-a ao telefone.”

Depois, foi à casa de Hardwicke, em Venice, na Califórnia, onde se encontrou com Stwewart, que tinha assegurado o papel principal. “Elas estavam a fazer testes de filmagens com quatro pessoas”, lembra-se. “Numa das cenas, eu (deveria) tirar a minha camisa, e acho que fui o único a não fazê-lo.”

A “Lionsgate” não ficou imediatamente convencida com ele, e alguns produtores questionavam-se se não era demasiado velho para o papel de um aluno eterno do secundário (tinha 21 anos naquela época), mas o seu agente continuou a pressioná-lo: “Stephanie dizia-me: “Antes de ires ter com eles, tens que fazer a barba umas 20 vezes”,diz ele.

A coisa toda de barbear-se várias vezes resultou, pois Pattinson conseguiu o papel: “Foi basicamente a minha última oportunidade no mundo do cinema quando fiquei com Crepúsculo.”

A franquia dos cinco filmes mudou a sua vida, surpreendentemente para si. Achava que seria “como (o filme anterior de Hardwicke), “Thirteen”, mas com vampiros. Não fazia a mínima ideia que iria ser um (sucesso).” Ele diz que o papel de Edward foi inesperadamente desafiador: “Foi uma personagem muito restritiva, duma certa forma. Queremos fazer dele tão dramático quanto possível, mas é uma pessoa que nunca perde a paciência, por isso: “Como é que fazemos isso?!” Acho que foi um dos trabalhos mais difíceis que já fiz.”

Pattinson passou os seguintes quatro anos na “Twilight zone” e quase que não parou de trabalhar, desde então. Não teve um período de férias em anos, porque em parte a sua fama faz com que seja difícil viajar. “Não acho que tenha estado em qualquer lugar, que não tenha sido em trabalho”, diz ele. “Tenho medo de perder tudo isso.”

O filme de 12 milhões, “The Rover”, que está a ser lançado pela “A24”, levou-o para a Austrália, onde enfrentou uma sessão de disseminação esgotante em cinco localidades, incluindo a cidade de “Marree” (com 90 habitantes). Foi baleado “absolutamente no meio do nada”, diz ele. “Há um caminho que vai para do leste para o oeste da Austrália, através da zona mais isolada, e nós estávamos no ponto em que essa estrada se transforma numa pista de terra. Era o fim da estrada, numa cidade com 90 pessoas.”

Filmou durante 41 dias, vivendo no que parecia um “contentor com janelas”, no meio de uma onde de calor, com temperaturas que ultrapassavam os 100 graus e um “monte de moscas. Assim que a luz surgia, tínhamos um monte de moscas a tentar comer os nossos olhos, o dia inteiro.”

Apesar da dureza: “Havia algo tão (grandioso), em apenas ser capaz de olhar para inúmeros quilómetros até ao horizonte”, diz Pattinson. “Há algo de muito calmante nisso.”

Um amigo seu deu-lhe uma fita de áudio para meditar, enquanto estava a trabalhar em “Mapsto the Stars”, em Toronto, e ficou viciado nela. “Lido facilmente com a maioria das coisas”, acrescenta ele, observando que a única excepção são os paparazzi, que ainda o perseguem. Lembra-se se ter sido perseguido durante horas, enquanto tentava evitar com que chegassem à sua casa. “Eram oito carros a seguir-me. E isso durou cerca de 10 horas. Não sabia o que fazer, literalmente. (Mas) descobrimos sempre formas de lidar com isso. Tem sido uma longa jornada, mas é o que a nossa vida é. Não posso, nem me lembro de como era a minha vida antes.”

Agora, diz que a sua vida é definida mais por estar sozinho ou sair com alguns dos seus amigos.

É “uma pessoa relativamente solitária”, embora para um solitário é surpreendentemente afável e igualmente leal. Mantém muitos dos seus amigos que cresceram com ele, o mesmo manager (da “3 Arts Entertainment”, Nick Frenkel) e a mesma agente (Ritz). “Ela ainda tem um saco meu, desde que saí de lá (da sua casa)”, brinca, “provavelmente cheio de roupa suja.”

Dois dias antes do nosso encontro, comemorou o seu aniversário, no dia 13 de Maio, com cerca de 20 amigos no “Chateay Marmont”, mais um jantar “que demorou imenso tempo.” Ele diz que ainda se está a recuperar. “Tenho estado em L.A. há cerca de cinco anos, por isso, conheço bastantes pessoas cá. Foi bom.”

Mantém contacto com alguns dos seus companheiros de Crepúsculo, também, de vez em quando, joga poker com Kellan Lutz, que é consideravelmente melhor do que ele, para seu desgosto. “É ridículo!”, afirma. “É como se eles basicamente só perguntassem: “Queres gastar 500 dólares para estares connosco?” “Oh, ótimo!”.”

Tirando essas escapadelas, admite ser um pouco espiritual e diz que o seu maior prazer, adquirido recentemente, é estar a flutuar numa cadeira insuflável numa piscina, a beber uma garrafa de vinho rosé. “Literalmente sinto: “Este é o céu absoluto. É tudo o que preciso na vida”, diz ele.

Ele é quase assustadoramente normal – uma anti-estrela, um actor que tem tropeçado em ser celebridade, que não quer nem precisa, que abandonou uma mansão supérflua em “Los Feliz”. “Ele poderia agarrar esse anel de bronze e continuar a fazer filmes de estúdio com grandes orçamentos”, diz Cronenberg. “Mas o seu desejo não é ser uma grande estrela de Hollywood.”

O seu desejo permanece obscuro. Melhorar é uma pequena parte dele: “Não sei se realmente já assentei os meus pés como actor – tenho que provar certas coisas”, diz ele. Mas, além disso, ele é das mais raras criaturas, um jovem que parece em grande parte satisfeito. “Tenho desejos extremamente simples. Não preciso de nada. Não quero nada.”

Fonte | Via | Saga CrepusculoAP Visite tambem o SurtosRobstenAP     

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