05 julho 2014

FanFic: "Mamãe sem querer" - Capitulo 2


Adaptação Gabi156  
Gênero: Amizade, Drama, Ecchi, Hentai, Romance 
Censura: +15 
Categorias: Saga Crepúsculo 
Avisos:  Nudez, Sexo

**Essa fanpic é uma adaptação do livro "Mamãe sem querer", da autora Kate Walker**

Capítulo 2

Isabella não acreditava no que estava ouvindo. Tinha entendido mal... Edward devia estar falando de outra coisa.

- Tanya... ela... Mas eu não entendo.
- Minha noiva me deu o fora... terminou o nosso noivado. Para deixar bem claro, ela não quer mais se casar comigo — explicou Edward, com paciência exagerada.
- Oh, não é isso! Eu entendo o que está dizendo... mas por quê?
Como podia uma mulher, em sã consciência, aceitar a proposta de Edward e ser tola o suficiente para mudar de idéia?
- Ela conheceu outra pessoa. — Edward franziu o cenho com a declaração amarga. — Alguém que conheceu no cruzeiro... ela o prefere.
- Oh, Edward...
Impulsivamente, Isabella aproximou-se para reconfortá-lo, mas estacou ao vê-lo enrijecer-se, o semblante fechado, alertando-a a ficar onde estava.
- E o café? — cobrou ele, a fim de quebrar a tensão.
- Oh, sim...

Isabella sentiu-se grata por poder retirar-se à cozinha e esconder a dor que sabia estar estampada em seu olhar. Não havia como mascarar, pois, naquele momento simplesmente não tinha força para tanto. Edward não queria sua solidariedade, sua preocupação. Se ele a tivesse esbofeteado, não teria deixado isso de forma mais clara ou menos dolorosa. Mas simplesmente não podia permitir...

Edward estava à porta da cozinha.
- Você deve estar magoado... — analisou, sem querer.
Se quisesse fazer uma idéia de como ele se sentia, bastava pensar na dor que experimentara ao saber sobre o noivado dele. Saber que aquilo mais cedo ou mais tarde aconteceria não ajudara em nada.
- Meu ego ficou chocado, com certeza. — A risada de Edward saiu áspera, sem sinal de humor. - E o meu orgulho.
- Quer conversar sobre isso? — Isabella concentrava-se em encher a chaleira com água. — Quero dizer... talvez isso ajude...
- Não. — A declaração foi dura e inequívoca, sem chance de negociação. — Não quero falar sobre Tanya, ou sobre seus motivos, ou sobre meus sentimentos... Prefiro falar sobre você.
- Sobre mim?! — Isabella pousou a chaleira com força no fogão, confusa. — Mas não acontece nada interessante em minha vida.
- Discordo. — Edward sentou-se à mesa. — Por algum motivo, você não se parece em nada com a Isabella de que me lembro... você mudou.
- Não é surpresa, considerando que faz três anos que me viu pela última vez. Seria muito estranho se eu não tivesse mudado de alguma forma. Eu cresci, Edward... não sou mais uma garotinha.
- Com certeza, não — concordou ele. — Mas há algo além disso.
- Quer dizer, não sou mais a adolescente sem graça e magricela que se esgueirava pela cozinha da mansão? E que foi tola o suficiente para acreditar... sonhar... que o olhar ou a conversa ocasionais que recebia significavam mais do que um vago interesse pela filha de um dos empregados da casa?
- Ninguém pode mais descrevê-la como sem graça... você floresceu. Embora não se favoreça prendendo o cabelo naquele coque de solteirona.
- Eu sou uma solteirona, Edward.

Isabella desabafara sem pensar e só tardiamente considerou as implicações da avaliação de Edward sobre ela. O bom senso dizia-lhe para tomar muito cuidado.

Durante todos aqueles anos, teria dado tudo por uma palavra de aprovação, um elogio dele. Agora, quando ele parecia disposto a fazê-los com generosidade, simplesmente não sabia como lidar com aquilo. A dúvida sobre a motivação dele estava permanentemente em seus pensamentos, mantendo-a alerta. Afinal, ele dissera que queria conversar sobre o noivado desfeito, mas logo mudara de assunto.

- Tecnicamente, suponho que seja, mas não acho que o termo se aplique... não após três anos de faculdade.
- Sou uma moça antiquada. — Isabella sentiu o rosto ruborizar.
O desdém na risada dele era perturbador.
- Não aquele tipo de antiquada, aposto! Não está tentando me dizer que não tem uma fila de candidatos à sua porta?
- Uma fila? Claro que não.
- Deve ter havido alguém. Não está me dizendo que passou três anos na faculdade e ninguém nunca namorou você? O que eles eram? Zumbis?
- Nada disso. — A risada de Isabella saiu quase genuína, só levemente exagerada, para aliviar a tensão que pairava no ar. — Mas não houve ninguém especial.
Como poderia ter havido, quando o homem que ela mais amava na vida estava sentado à sua frente, tão próximo que bastava estender a mão para tocá-lo, para acariciar-lhe o rosto, para afastar-lhe a mecha de cabelo preto sedoso que caía sobre a testa...

De repente, ciente de que Edward a observava com atenção, forçou-se a voltar à realidade.

- Mas não está me dizendo que ninguém...
Isabella despejou o café na xícara com ímpeto exagerado e pousou-a à frente dele, externando indignação a fim de mascarar o aperto que sentia no estômago.
- Por que insiste nesse assunto? Eu lhe disse que era uma moça antiquada.
- Estou apenas interessado... e isso não é apenas antiquado, mas puritano! — Edward riu. — Está tentando me dizer que está esperando o homem ideal aparecer? — Mostrava-se incrédulo, o tom carregado de divertimento sarcástico.

Mas o que ele dissera estava perto demais da verdade. Isabella percebeu que, em vez de rechaçar a indiscrição, estava atiçando as brasas com aquelas tentativas de mudar de assunto.

- Oh, tudo bem, houve um homem... Jacob. Nós éramos... muito amigos na época de faculdade.

Jacob não ia se importar em ter seu nome citado em vão. Ele quisera ser mais do que um amigo. Na verdade, partilharam noitadas muito agradáveis que, por ele, teriam terminado em vôos maiores. Para ela, porém, não passaram de noites divertidas na companhia de um homem atraente. Os beijos trocados não eram nada comparados às sensações perturbadoras que Edward causava-lhe ao mais leve toque.

- Pensei que pudesse ter havido... vocês ainda se vêem? — especulou ele.
- Não. — Teria sido mais seguro fingir um envolvimento passional com Jacob, mas Isabella simplesmente não conseguia mentir. — Quando saímos de Sheffield, ele arranjou um emprego em Edinburgh.
- É o caso de "longe dos olhos, longe do coração"?
- Acho que sim. Mantemos só uma correspondência...
- Bastante esporádica, pelo jeito — murmurou Edward. — Falar desse Jacob definitivamente deixou-a irritada.
- Não, não deixou... você é que está me deixando.
- Eu?! — Edward franziu o cenho, a xícara de café a meia altura, a expressão confusa e contida de tal forma que Isabella quase acreditou que fosse genuína.
- Sim, você... está xeretando a minha vida particular. — O tom saiu rude, pois sabia que ele aproximara-se perigosamente da verdade. — Está fazendo muitas perguntas.
- O privilégio não é exclusivo — rebateu Edward, surpreendendo-a. — Você pode perguntar também. Oh, vamos lá, Bella! — Riu quando ela pareceu cética. — Esta não é a garota que conheço e amo! Se bem me lembro, o problema costumava ser fazê-la parar de falar depois que começava.
- E eu posso perguntar qualquer coisa? — indagou Isabella, só com um leve tremor na voz. A consciência dizia-lhe para ignorar o termo "que conheço e amo", ciente do cinismo implícito.
- Qualquer coisa, desde que razoável.
- Então, por que decidiu se casar?

A pergunta estava tão pronta em sua mente que saiu antes que considerasse se era sábio formulá-la. Pelo menos, teve presença de espírito para não acrescentar o nome que transformaria a pergunta em "por que decidiu se casar com Tanya?"

Mas avançara o sinal. Soube ao ver a expressão sombria de Edward, os lábios e o maxilar muito tensos.

- Oh, perdão! Eu não devia...
- Você perguntou... eu vou responder. Afinal de contas... Após o acontecido, provavelmente é uma boa idéia dar uma olhada em meus motivos... ver como me meti nessa embrulhada.

Se ela lamentara a pergunta segundos antes, agora desejava ter perdido a língua... desejava fazer qualquer coisa para levá-lo para longe daquela linha de raciocínio sombria que só a fazia lamentar a perda do clima de camaradagem que haviam partilhado havia poucos instantes.

- Eu sempre quis me casar... — tartamudeou Edward, concentrado.
- Pois sim!
Isabella = não pôde evitar desdenhar, lembrando-se da extensa lista de namoradas dele que atormentara sua adolescência.
- Oh, que raios, Bella! Não faça essa cara cética! Que mal há em se divertir um pouco até encontrar a pessoa certa... aquela com quem se quer sossegar?
- Nada... — resmungou Isabella, incapaz de injetar entusiasmo à palavra, dolorosamente ciente de que Edward acreditava ter encontrado a "pessoa certa" em Tanya. — Mas a sua lista sempre foi extensa demais! — acrescentou, na tentativa de esconder a dor que sentia.
- Nunca enganei ninguém, nunca deixei ninguém pensar que era sério quando não era. Todas as garotas com quem saí sempre souberam qual a sua posição... e que não haveria compromisso... apenas divertimento. Todas se divertiram e eu também... você sabe como é.

Isabella murmurou qualquer coisa, numa vaga concordância. Gostaria de saber como era. Tentara sair apenas por divertimento, tanto no colégio quanto na faculdade, e apreciara a companhia dos homens com quem saíra... alguns mais do que outros... mas aquilo era tudo, e a verdade era que todos os encontros pareciam decepcionantes ultimamente.
- Tenho de admitir que relacionamentos sem compromisso são como águas passadas... — concluiu Edward. — Não levam a nenhum lugar e são improdutivos. Temo ser uma pessoa de tudo ou nada.

E Edward era tudo o que ela queria, mas não podia ter. Por isso, para que perder tempo?

- Você sempre foi séria demais para o seu próprio bem. Eu nunca quis nada disso... até meu pai morrer. — Edward focalizou o café e franziu o cenho. — Então, tomei noção da minha própria mortalidade... Uma noção baseada no forte senso de responsabilidade.

- Responsabilidade?
- Como meu pai, eu sempre quis filhos, mas de repente dei-me conta de que a linhagem Cullen depende de mim. A mansão pertence a nossa família há séculos e sei que meu pai gostaria que continuasse assim... e eu também. Acho que isso parece feudal para você.
- Na verdade, não.
Isabella escolheu as palavras com cuidado, dolorosamente ciente da indiferença no tom dele ao falar "sempre quis filhos". Ele queria uma família e, agora, por causa da decisão de Tanya, não podia realizar seu sonho. Ele parecia ter perdido os sonhos.
- Acho que eu, mais do que ninguém, posso entender como se sente — retrucou Isabella. — Afinal, crescer sem um pai, sem saber quem ele era, sempre fez com que eu me sentisse incompleta de alguma forma... como se uma peça importante do meu quebra-cabeça pessoal estivesse faltando, uma peça que me permitiria ver o quadro completo.
- Sua mãe nunca lhe contou nada, nem no final?
- Ela não foi capaz de dizer nada. — Isabella suspirou, revivendo momentaneamente a enfermidade da mãe, três anos antes, quando estava no último ano da faculdade. — Pelo menos, não conscientemente, embora, a certa altura, ela ficasse repetindo um nome sem parar... Charlie... acho que era isso. Eu quis acreditar que era o sobrenome de meu pai, e que, no fim da vida, ela o perdoou.

A ironia estava no fato de sua mãe, enquanto forte e saudável, ter-se empenhado em manter a ela e Edward afastados, mas sua doença acabou aproximando-os, ainda que brevemente.

Se já não estivesse apaixonada por Edward, Isabella teria se apaixonado naquela manhã de março, quando ele surgira do nada dando-lhe a notícia do colapso de sua mãe, Renée Swan. Se ele já não possuísse seu coração, ela o teria dado em agradecimento por sua delicadeza e consideração naquele momento difícil. Foi quando seu sentimento de garota amadureceu, tornando-se amor de mulher.

- Significa tanto para você?

- Isso me ajudaria a entender quem eu realmente sou... se entende o que quero dizer. Se soubesse quem é o meu pai, ainda que ele esteja morto, pelo menos teria o nome para colocar na minha certidão, no lugar do espaço em branco. Eu me conformaria melhor com o fato de não ter uma família. Então, percebe, sei o quão importante é o nome de sua família para você e o quanto você quer que a linhagem continue. E, claro, acho que sua mãe quer ter netos.

- Minha mãe... — Edward fechou a expressão, os lábios torcidos. — Vai haver um pequeno escândalo aí... ela já tinha comprado um chapéu espetacular para a cerimônia.
O mau humor dele não convenceu. Isabella ainda estava bem ciente da amargura em seu coração.
- Ela não sabe?
- Ninguém sabe, exceto Tanya e eu... e agora você.
- Eu não vou contar a ninguém — adiantou Isabella, e ficou surpresa com a reação dele.
- As pessoas terão que saber, mais cedo ou mais tarde. Bem... pode ser mais cedo.
Sua mãe não será a única a ficar decepcionada. Todo mundo na cidade estava aguardando o casamento...

- Ora, Bella! — O desabafo de Edward foi acompanhado de um movimento violento e, num piscar de olhos, ele estava de pé, deixando-a apreensiva. — Meu casamento não foi planejado para agradar ao vilarejo! Tardiamente, Isabella percebeu a grosseria do comentário. Edward sempre detestara a forma quase possessiva com que os habitantes de Ellerby se referiam aos Cullen. A família ainda era vista como a nobreza local, suas vidas e atividades eram comentadas quase com tanto interesse quanto as da família real.

- Claro que não... Desculpe-me, eu não pensei.
Edward percebeu como ela se retraíra, os olhos arregalados e obscurecidos.
- Oh, raios, Bella... desculpe-me. — Ele passou as duas mãos pelos cabelos bronzes, perturbando a maciez brilhante. — Eu não devia ter vindo... nunca devia ter me imposto a você desse jeito. Não sou companhia agradável para ninguém.
- Não é de surpreender, dadas as circunstâncias. — Isabella sorriu franca. — E você não se impôs.
- De qualquer forma, preciso ir.
Ele olhou ao redor e tomou o rumo da porta.
- Edward...
- Hum?
Ele fechou e abriu as pálpebras devagar, confirmando as suspeitas dela. Era um sinal mínimo, quase imperceptível, e só alguém tão sensível a tudo relacionado a ele teria captado.
- Quanto você já bebeu?
- O bastante para não me lembrar bem, mas não tanto a ponto de não saber que foram algumas...

Quando ele lhe deu as costas novamente, Isabella agarrou-lhe o braço.

- Você já tinha bebido bastante antes de vir para cá, não é? Então, ofereci-lhe o xerez... Edward, você não devia dirigir nesse estado!
- Minha querida Isabella... minha pequena amiga sensata... como você é moralista e controlada a respeito de tudo!
Ele concentrou os olhos esmeralda nela com dificuldade, ergueu a mão e pousou-a gentilmente em seu rosto. Mas seu humor logo mudou novamente, rechaçando as reprimendas.
- Eu sei que não devia dirigir, mas não passei do limite e precisava conversar com alguém ou enlouquecia...
- Mesmo assim... — Isabella esforçou-se para ignorar o próprio coração acelerado ao simples toque de Edward. — Não pode dirigir mais esta noite.
- Eu preciso dirigir, doçura... a menos que você tenha alguma alternativa.
Doçura!Se ainda tinha dúvida da sobriedade dele, o termo dirimiu-a. Edward nunca lhe dirigira uma palavra tão afetiva antes. No passado, ele só usava a forma curta de seu nome, opinando: "Isabella é um nome muito elegante para uma migalha como você". A atitude estranha era mais reveladora do que tudo o que acontecera antes.

Só havia uma possibilidade.
- Você ficará aqui.
- Aqui?!
Ele ergueu as sobrancelhas escuras com uma expressão exagerada de espanto e, logo, o bom humor voltou aos olhos verdes.
- É uma sugestão bastante imprópria, srta. Swan — comentou, malicioso. — O que os vizinhos vão pensar?
- Eles não precisam saber de nada. — Isabella recusou-se a entrar na brincadeira. — Afinal, você disse que estacionou longe daqui e, se for embora tarde amanhã, depois que todos tiverem saído para o trabalho... — Deteve-se quando Edward balançou a cabeça, rejeitando a proposta.
- Melhor não... — decidiu ele. — Onde está minha jaqueta?
- Não, Edward.
Ágil, Isabella pegou a jaqueta de Edward e guardou-a fora do alcance.
- Eu não vou permitir... você não está em condições de dirigir.
- Então, vou andando. — O tom dele era ameaçador, o olhar, cheio de raiva. Contrariava os argumentos com todos os sinais corporais possíveis. — Não posso ser acusado de andar bêbado!
- Está chovendo forte! Vai ficar ensopado!
- Eu não derreto, Isabella. Não posso ficar... Não posso dividir a sua...
- Você não vai ter que dividir nada!

Isabella sabia que não devia pensar nas declarações dele e concentrou-se em fazê-lo ver a razão. Não podia lidar com os sentimentos ambíguos que a assaltavam à possibilidade de ele estar acreditando que ela estava oferecendo-lhe um lugar em sua cama, com a possibilidade de ele ter entendido dessa forma. Na cabeça, podia ouvir a voz da mãe, censurando-a:

- Só há uma coisa que um homem como aquele quer com uma moça como você, e não preciso dizer-lhe o que é.

Naturalmente, não tinha dúvida do que se tratava, uma vez que era uma prova viva do que aquela "coisa" significava. A consciência do fato vinha acompanhada de dor ao entender que à conseqüência seguia-se invariavelmente o sumiço do responsável.

Mas a mãe enganara-se sobre Edward, conforme viera a entender a duras penas. Ele deixara claro que não tinha interesse nenhum em seu corpo. Portanto, agora, Isabella não hesitou em manter seu ponto de vista, suplantando a dor que a simples lembrança daquele evento passado causava.

- Esta não é a mansão, mas tenho um quarto de hóspedes.

- Mesmo assim...

Ele tomou a direção da porta, mas Isabella chegou antes dele e fechou-a, colocando-se como obstáculo de tal forma que ele precisaria removê-la fisicamente se quisesse mesmo sair.

- Isabella...

- Não discuta, Edward!

Ela esforçou-se para ignorar o sinal de alerta implícito no uso de seu nome completo e recusou-se a considerar que a determinação dele em sair motivava-se unicamente pela preocupação com sua reputação. Refutou a idéia de que ele simplesmente não queria ficar com ela, pois isso seria muito arrasador.

- Eu não ficaria em paz com minha consciência se o deixasse ir e algo lhe acontecesse, ou alguém...

- Mas, ora, mulher!

Ao sentir a mão forte em seu braço, segurando a carne macia, Isabella entendeu, desanimada, que, se ele quisesse mesmo sair, ela não seria capaz de impedi-lo. Sua determinação parecia patética comparada à força muscular dele.

Ao mesmo tempo, de repente, sentiu medo, ao pensar na força da raiva que despertara em Edward, ao pensar na potência que liberara e que poderia não ser capaz de controlar. Sempre soubera da influência de Edward Cullen sobre a família e no mundo dos negócios. Respeitado pelos arrendatários, tinha reputação de "peixe grande" no mar de gente daquele meio. Mas nunca tivera aquela força voltada contra si pessoalmente e, por isso mesmo, precisava de toda a coragem para manter-se inabalável.

- Não posso permitir que faça isso! — insistiu, corajosa.

Por um ínfimo segundo, ele apertou o toque no braço e ela engoliu em seco, enrijecendo-se para o inevitável. Surpreendentemente, não aconteceu nada. Edward encarou-a e viu a determinação nos olhos cor da noite... e desafio... e medo.

- Oh, raios! — resmungou ele, soltando-a tão de repente que ela cambaleou para trás, tendo que se apoiar na porta para não cair. — Tudo bem, se isso vai me deixar livre de você.., você ganhou! Onde é o quarto?

- No fim da escada, primeira porta à direita... o banheiro fica na porta seguinte.

Isabella não sentiu prazer na vitória. Ele tinha que deixar tão claro que permanecer era a última coisa que desejava?, perguntou-se, enquanto Edward, após dar boa-noite resmungando, tomava a escada. Conseguira o que queria, mas o custo era a dor intensa no coração.

Dar-lhe-ia tempo para usar o banheiro e recolher-se, planejou, com a atenção voltada para a toalete, recusando-se a imaginar Edward nu no quarto azul e branco, seu corpo forte e elegante entre os lençóis...

- Coloque a garrafa de leite para fora... tranque a porta... apague as luzes... — murmurou para si mesma, a fim de não se distrair com a outra linha de pensa mento. Vinte minutos bastariam?

Teriam que bastar. Já era quase meia-noite. Estava exausta e precisava estar de pé antes das sete horas no dia seguinte.

Não que tivesse esperança de que conseguiria dormir, reconheceu, de camisola curta azul de algodão, ao escovar os dentes. A idéia de ter Edward no quarto à frente do seu era mais do que suficiente para mantê-la acordada. Poderia ouvir cada rangido da cama velha, qualquer movimento que ele fizesse.

Pare!

Rudemente, jogou água fria no rosto, rezando para que isso esfriasse seus pensamentos, para que sua temperatura total baixasse. Ao enxugar-se, percebeu que não providenciara toalhas limpas para Edward. Ficara tão surpresa com a capitulação dele que nem pensara nisso. Ele precisaria delas pela manhã.

Pois deixaria algumas peças para ele a caminho do quarto. Provavelmente, ele já estava dormindo sob efeito do vinho. Enfiou a cabeça pela porta entreaberta e viu que o abajur estava aceso, iluminando o cabelo bronze de Edward sobre a fronha branca.

Ele estava de olhos fechados, percebeu, aliviada, os longos cílios em semicírculo sobre as feições fortes, a marca da barba por fazer ao longo do maxilar. Só deixaria as toalhas e iria embora, decidiu, entrando na ponta dos pés para não perturbá-lo.

Quando chegou ao interruptor do abajur, ele ergueu preguiçosamente as pálpebras e ela congelou, focalizando os olhos verdes que pareciam duas esmeraldas.

- Isabella... — O nome saiu como um suspiro cansado, não como uma saudação de boas-vindas, aplacando a tentativa de sorriso dela. — Que raios você quer agora?
- Só trouxe algumas toalhas... esqueci de providenciar-lhe algumas agora há pouco. — A voz dela saiu fria e contida devido à dor. Ela indicou, desajeitada, o pequeno volume ao pé da cama. — Achei que provavelmente ia querer tomar um banho pela manhã.
- Obrigado.
Estava sendo dispensada, analisou Isabella, pelo tom de voz. Ele ia fechar os olhos, deliberadamente, pensou ela, comunicando que ela não era bem-vinda.
- Tudo bem, então, vou deixá-lo em paz.
- Por favor.
Ela sentiu o golpe daquelas duas palavras simples.
- Bem... boa-noite.

Não conseguiu evitar. Ao captar a decepção em sua voz, Edward abriu os olhos novamente.

- Bella... — A voz saiu grave e rouca. — Obrigado por tudo.
Havia uma sutil e indefinível mudança na expressão dele. Uma mudança que ela não se atreveria a analisar. De repente, ele soergueu-se, estendendo-lhe a mão.
- Não sei o que teria feito se você não estivesse em casa.
- Fico contente por estar aqui para você.
Isabella tentou parecer animada e descontraída, lutando contra a lembrança do motivo de ele estar ali... contra a dor e a mágoa por ter sido preterida. Mas, por mais que tentasse, não foi forte o suficiente para resistir ao apelo da mão estendida, da suavidade na quele olhar.

Sentiu o coração revigorado enquanto ajeitava-se ao lado da cama e aceitava o toque da mão forte.

- Afinal, não é para isso que servem os amigos?

Ela deixou a mão junto da dele por mais um segundo, então, forçou-se a tomar a iniciativa de partir.

- Agora, você deve dormir um pouco... Eu também preciso... Eu tenho...

- Bella — interrompeu-a Edward, de repente, a voz num tom de urgência. — Não vá... não quero ficar sozinho... não esta noite.

- Mas... — Ela viu o olhar obscurecido, um leve traço verde contornando as pupilas. — Edward...

- Por favor.

Era assustador perceber como ela considerara a possibilidade com facilidade. E aterrador ver como hesitara pouco em concordar. Era impossível dizer não, embora a razão alertasse-a para nem cogitar a possibilidade e sair daquele quarto imediatamente.

— Não tenho segundas intenções... — Por menor que tivesse sido sua hesitação, Edward apressou-se em dar-lhe garantias. — Para começar, já estou quase dormindo... Estava cambaleando lá embaixo... e já bebi demais para ser considerado uma ameaça a qualquer mulher. Além disso, somos amigos...

Se ele soubesse o quanto Isabella odiava a palavra, ainda mais agora, quando a descrição parecia tão sem graça. Era mais do que ele jamais lhe oferecera, mas estava bem longe do que ela desejava. Como amiga, não exercia nenhum apelo físico sobre ele. A conclusão fez com que se atirasse a uma tentativa surpreendente de tomar o controle da situação.

- Não acho que seria...

- Por favor.

Ele disse tão baixinho que ela nem teria ouvido caso não fosse tão sensível a tudo relacionado a Edward, mas captou o pedido e injetou-o no coração já vulnerável. Precisaria de uma força de vontade superior à sua para resistir ao apelo em voz baixa. Além disso, ele já estava quase adormecendo de cansaço, os olhos semicerrados, a respiração regular.

Observando-o naquele momento, com os olhos brilhantes ocultos, o rosto relaxado sem as linhas de expressão na pele, Isabella via o jovem Edward novamente.

- Preciso segurar a mão de alguém...

- O quê?

Ela não podia acreditar no que ouvira. As palavras dele eram confusas devido ao sono. Ou, se tivesse ouvido bem, teriam o mesmo significado para ele?

- Segurar a mão de alguém...

Isabella mordeu o lábio inferior, enquanto os anos retrocediam em sua memória. Era novamente uma adolescente, que demoraria a desabrochar e sabia disso, ainda mais quando Edward Cullen estava por perto.

Ele não a notara a princípio, claro. Quando sua mãe começou a trabalhar na mansão, tinha só onze anos e Edward, respeitáveis vinte anos. Ele mal olhara para ela na ocasião, nem em nenhum momento nos anos seguintes, mas então o destino interveio de forma dramática, atirando-a literalmente aos pés dele.

Estava a caminho de casa, após o ensaio do coral na escola. Anoitecia e um nevoeiro começava a se formar. Atravessava a rua rumo ao ponto de ônibus quando um ciclista, correndo demais, dobrou a esquina e atropelou-a, arremessando-a para longe. Perdera a consciência, acordando pouco depois deitada na calçada, amparada por braços fortes e reconfortantes, observada por um par de olhos verdes preocupados.

Pensou que tivesse morrido e ido para o céu, lembrou-se. Sorriu ao lembrar como Edward, a caminho de casa, assistira ao acidente e despachara alguém para buscar sua mãe, permanecendo a seu lado na ambulância. Segurando-lhe a mão o tempo todo, aplacou seu medo com palavras gentis, sem se importar com a mancha de sangue em sua camisa cara. Perdera o coração naquele momento.

Nas semanas seguintes, com o calcanhar imobilizado, permanecera do quarto de sua mãe na mansão, visitada diariamente por Edward, que lhe levava livros e jogos para distrai-la, além de guloseimas, para abrir-lhe o apetite. Com o coração totalmente perdido, jamais conseguira recuperá-lo.

Nessa ocasião, incapaz de agradecer adequadamente, mas tentando transmitir o que sentia da melhor forma possível, fez-lhe uma declaração sentimental. O diálogo voltou-lhe à lembrança:

- Se precisar de mim... para qualquer coisa... só precisa pedir — dissera ela, sem parar para pensar no que uma garota de catorze anos poderia oferecer a um adulto dez anos mais velho. — Se precisar de alguém... se precisar segurar a mão de alguém, como fez comigo... eu estarei lá.

Nessa época, evidentemente, sentira por Edward a admiração que se tinha por um herói, uma devoção cega e inabalável, imune às várias considerações que a maturidade trazia a respeito das relações complexas entre homens e mulheres. Com a idade, passara a entender o temor da mãe e surgiu um novo foco de preocupações, o mesmo que sentia naquele momento à beira da cama, impedindo-a de reagir bem ou mal.

- Bella? — Edward abriu os olhos com esforço, as esmeraldas brilhando como uma manhã de primavera. — Eu só preciso de alguém...

Soltando um suspiro, Isabella admitiu que não havia modo de protelar mais. Se tudo o que ele queria era apenas aquela amizade descompromissada que ele lhe oferecera anos antes, então, ela lhe concederia isso.

Além disso, sabia que era incapaz de resistir à tentação de finalmente achegar-se a ele, fisicamente ao menos. Poderia mantê-lo junto ao seu corpo, oferecendo-lhe o conforto que podia, até que ele adormecesse, quando se retiraria para seu próprio quarto.

Apenas daquela vez, convenceu-se, enquanto puxava a ponta do cobertor e deslizava para junto dele. Que mal poderia haver?


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